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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Opinião sobre o momento atual dos militares (salvo melhor juizo)....


Meu querido Primeiro Chefe:

    Estou muito preocupado com o rumo que as coisas estão tomando no Exército. Tenho o mais profundo respeito pelas opiniões de todos. Absolutamente todos!!! Mas preciso expressar a minha, acompanhada de um humilde "salvo melhor juízo".
    Alguns companheiros, imbuídos das melhores intenções e com a alma militar sangrando (como a minha), vem sendo implacáveis nas condenações às atitudes de nossos Chefes, em particular o General Enzo, encontrando em tudo o que ele faz, ou deixa de fazer, um motivo para criticar acerbamente seu comportamento.
    Esse é um erro que não se justifica em combatentes que somos. O inimigo é outro. Não é o Comandante da Força. Por razões absolutamente fora de nosso alcance, a Nação aproou para a esquerda. O povo, em sua maior parte ignorante, imediatista e à venda por baixo preço, escolheu esse regime que aí está, que não é aquele que desejaríamos. Não há como negar isso e nem como mudar esse quadro antes de outra eleição, a menos que haja um golpe de estado e uma ruptura constitucional, o que também não desejamos, como já exprimiu o ilustre General Valdésio.
     Assim, para usar uma figura que qualquer guerreiro entenderia, as pessoas em cargos de decisão que pensem como nós, incluindo aí nosso Comandante, são como combatentes operando em território inimigo. De nada adianta para eles se arvorarem em machões e abrirem fogo abertamente contra qualquer alvo que seja. Seriam abatidos na hora. Se o Comandante bater de frente com o establishment será destituído imediatamente, "sans autre forme de procès". Isso é evidente. E entraria um outro, que viveria os mesmos dilemas, e la nave va.
     Exaltar a eficiência do Exército na luta contra o comunismo, como anfitrião, em um discurso na presença do Comandante Supremo, que é comunista, me parece uma falta imperdoável de tato, uma agressão descabida e um suicídio inútil, smj.
    O guerreiro perdido em território inimigo precisa agir com toda precaução. Obter pequenos progressos paulatinamente. Conquistar pouco a pouco habitantes locais que lhe deem abrigo e comida. E ir se aproximando de seu objetivo, sempre homeopaticamente e com extremo cuidado. Qualquer descuido é fatal. Essa é uma situação extremamente perigosa, desgastante e estressante.
    Não gostaria jamais de estar na situação do General Enzo. Tenho a mais absoluta certeza de que ele luta pelo Exército dentro das limitações impostas pela situação tática e estratégica. Se submete a constrangimentos que não precisaria mais sofrer e suporta pressões angustiantes das quais estaria livre na tranquilidade da Reserva e, supremo sacrifício, recebe ordens de Celso Amorim e tem que tolerar a presença de José Genuíno, tudo para cumprir a missão sagrada de servir à Força e evitar, na medida de suas possibilidades, que mal maior possa vir a acontecer.
    Cada um pode bem imaginar a seu modo, mas ninguém sabe exatamente o que se passa nos corredores palacianos, e condenar o Chefe sem esse conhecimento é, no mínimo, uma flagrante injustiça, à qual jamais me associarei.
    O momento é de cerrar fileiras em torno de nossos Chefes e de nos unirmos na reserva, fazendo nossa parte. Que essa parte não se limite a trocar entre nós e-mails candentes e enfurecidos, mas sim que procuremos encontrar maneiras de levar nossa voz além de nossas fronteiras. Aproveitar oportunidades para discutir nossas posições com formadores de opinião externos ao nosso meio, como fizeram os Generais Heleno, Rocha Paiva e Felício.  Chamá-los para a discussão em campo aberto. Conquistar corações e mentes no meio civil, em particular entre a juventude, obtendo assim uma base de apoio cada vez mais sólida para nossas manobras.
    Nunca me esquecerei do CICAO, no frontispício do prédio principal de nosso ninho. O fato de que não vamos mais comandar, não nos desonera do dever de obedecer. Os tempos de guerra em que o inimigo está vencendo são duros, e impõem sofrimentos e  desalento. Mas temos que buscar dentro de nós a endurance moral para suportar a pressão sem dissenções, unidos na defesa de nossos ideais, cada um confiando em que o outro está dando o melhor de si no combate que representa o derradeiro esforço na defesa da liberdade em nosso país. Todas as demais instituições já estão "dominadas" pelo inimigo. Não podemos nos dar ao luxo de perder eficácia praticando o tiro amigo.
    Divulgue minhas ideias da maneira que achar conveniente e se achar conveniente. Para seus destinatários, permita que acrescente mais um parágrafo:
     Meus caríssimos irmãos de armas. Que não turbe vossas consciências o fato de que essas palavras venham de alguém tão pouco qualificado para escrevê-las. Elas não constituem reproche nem crítica, mas apenas considerações sinceras oriundas de um jovem mas cauteloso guerreiro com 71 anos de idade. Respeitosamente apresento armas para todos que se engajam nessa luta, qualquer que tenha sido até agora sua maneira de fazê-lo. Convoco os até então indiferentes para a luta. E vamos reagrupar o dispositivo, sob as vistas e fogos do inimigo, mas unidos e coesos em torno do Chefe, que há de nos mostrar o caminho do dever.  Que a Reserva seja para ele a reserva com que contam os Generais no campo de batalha, pronta a intervir, no momento certo, no lugar ideal e com o entusiasmo e poder de fogo necessários e suficientes para conduzir à vitória. Essa é minha opinião, salvo melhor juízo.....

Um forte abraço fraterno.

Cel José Gobbo Ferreira 

domingo, 22 de abril de 2012

O PT inaugurou no Brasil os “movimentos sociais” em defesa da corrupção! Não chega a ser inédito no mundo! O fascismo já havia chegado lá

Milhares de pessoas, não muitos milhares, saíram às ruas ontem em 80 cidades brasileiras cobrando celeridade do STF no julgamento do mensalão e protestando contra a corrupção. “Celeridade” nem é uma palavra tão boa assim. No dia 6 de junho, a entrevista que Roberto Jefferson concedeu à Folha denunciando o mensalão — à boca pequena, a suspeita estava em todos os cantos e era amplamente comentada por políticos e jornalistas — completa seis anos. Larápios que deveriam estar na cadeia só engordaram, nesse tempo, a sua conta bancária e conspiraram em quartos de hotel, explorando uma espécie de lenocínio contra as instituições e o estado de direito.
Publiquei algumas fotos das manifestações. Numa delas — e a imagem é recorrente em várias cidades —, uma jovem aparece com o rosto pintado de verde e amarelo, remetendo aos caras-pintadas de 1992, que concorreram para a queda de Fernando Collor. O mesmo Collor que agora integrará a CPI do Cachoeira como força auxiliar do PT.
Não, senhores! O PT e os ditos movimentos sociais não participaram do protesto, é claro! Eles agora são poder. Em 1992, estavam na oposição. Para petistas e assemelhados, denunciar corruptos quando se está na oposição é mister; protegê-los, quando se está no governo, é um dever. Para os petistas, o mal não está na corrupção em si, mas em quem a pratica. No adversário, é uma falha grave; nos companheiros, é apenas uma ação tática — ou estratégica, a depender do teórico — para combater “a direita” e “os conservadores”.
Aquela moça de cara pintada nos lembra que Lindberg Farias, por exemplo, presidente da UNE em 1992, passados 20 anos, é senador do Rio pelo PT. Por que ele engrossaria agora uma passeata em favor da punição dos mensaleiros? José Dirceu, um dos mais buliçosos articuladores dos movimentos — JUSTIFICADOS, É BOM QUE FIQUE CLARO! — em favor do impeachment de Collor, está empenhado agora em revistar a história e negar o óbvio: os crimes cometidos pelos mensaleiros e pelo chefe da quadrilha.
Por isso, os petistas e os movimentos sociais que eles controlam não vão às praças. Ao contrário. Quando Dirceu é chamado a falar em fóruns de esquerdistas, alguns deles promovidos, direta ou indiretamente, com dinheiro público, a saudação é outra: “José Dirceu guerreiro/ herói do povo brasileiro”. O PT tenta deixar um legado na política brasileira: a corrupção praticada por esquerdistas é apenas um ato de resistência. Antes que avance, uma consideração importante: não pensem que o partido inova ao fazer tal avaliação. Essa amoralidade constitui a essência do próprio pensamento de esquerda, revelada, já comentei aqui, de forma cristalina por Sartre na peça “As Mãos Sujas”. Tentem encontrar num sebo e leiam (depois ele virou um comunista cretino). Ali está a essência de como as esquerdas, mesmo a “melhor” esquerda, lidam com o crime. Para elas, o que determina se uma ação é criminosa ou não são os seus objetivos. Se servirem ao que chamam “libertação dos oprimidos”, tudo é permitido — e, pior do que isso, tudo passa a ser necessário, desde que assim decida o partido. Não é diferente do fascismo — só que este fala em nome do “estado”. Igualam-se no ódio à democracia e ao liberalismo.
Um pouco de históriaNão sei para onde caminha a sociedade brasileira — não tenho bola de cristal. Os que me leem desde a revista República (e o PT ainda era oposição) ou, um pouco mais tarde, desde Primeira Leitura, sabem que nunca fui exatamente otimista. Há muitos anos me incomoda a agressão sistemática promovida por forças do establishment (e o PT já era establishment quando oposição) contra as instituições. Em 2003, fui convidado a falar num seminário promovido pelo PSDB. Discutia-se qualquer coisa como “os caminhos da oposição”. Cheguei a escrever um artigo para a revista da Fundação Teotônio Vilela. Afirmei então, para espanto (e discordância) de muitos tucanos presentes — nunca fui ligado ao PSDB, como sabe ao partido, porque repudio sua esquerdofilia —, que os petistas tendiam a fagocitar (um neologismo derivado do substantivo “fagocitose”) instituições, partidos conservadores, movimentos sociais, entidades de classe trabalhadoras e patronais… Lembro-me de certo espanto dos presentes. Alguns me olhavam indagando: “Quem é esse paranoico aí?’ Pois é…
O meu antípoda da tarde foi o sociólogo Sérgio Abranches, que tranquilizou a todos afirmando que as virtudes do “presidencialismo de coalizão” impediriam aventuras autoritárias do PT. A minha tese não era — e nunca foi a de que o petistas tentariam um golpe bolchevista (sempre achei isso uma grossa bobagem), mas a de que eles dariam um jeito de tornar irrelevantes os controles e filtros democráticos, alterando-lhes os códigos. E falei bastante sobre Antonio Gramsci. A maioria dos tucanos preferiu, visivelmente, a mirada otimista de Abranches. Talvez ela lhes parecesse menos trabalhosa do que anunciava a minha análise. Lembro-me da satisfação de alguns ali quando diziam: “Mas os petistas estão governando com o nosso programa, com os nossos marcos econômicos!”. E eu tentei: “Sei disso! Por isso mesmo, a coisa é mais séria do que parece! Eles estão sequestrando os seu valores e suas conquistas”. Em vão!
O responsável mais direto por eu ter sido convidado para aquele seminário e única liderança que concordou comigo era o então deputado federal tucano (e depois secretário-geral do partido por um tempo) Eduardo Paes, atual prefeito do Rio pelo PMDB. Paes, reitero, endossou a minha constatação de que o petismo estava se articulando como força hegemônica para fagocitar inclusive lideranças da oposição!!! O prefeito poderia dar seu testemunho se fosse o caso. Sabe que falo a verdade. Paes fez depois as suas escolhas, e eu continuei com as minhas. Ambos sabíamos, e louvo-lhe a perspicácia, para onde as coisas estavam caminhando, não é mesmo?
CPI do Cachoeira, mensalão etcOs primeiros dados que vazaram da investigação da PF dão conta de que o bicheiro Carlinhos Cachoeira está muito mais enfronhado no estado brasileiro do que se supunha. Sozinha, a Construtora Delta pode fazer tremer a República. A CPI seria, sim, um bom momento e um bom lugar para desbaratar o esquema criminoso. Mas já dá para saber que isso não vai acontecer. Ao contrário: os que se moveram, inicialmente, em favor da comissão de inquérito não querem fulminar o esquema criminoso. Ao contrário: usuários e usurários da sem-vergonhice, pretendem apenas fazer valer a maioria de votos de que dispõem na comissão (25 a 6) para intimidar a oposição e para demonstrar que a política brasileira é mesmo essencialmente suja — logo, os crimes do mensalão, que hoje eles negam (contra todas as evidências), ainda que tenham existido, não teriam sido excepcionais.
Vocês são testemunhas de que este blog foi pioneiro em chamar a atenção para essa pilantragem, ainda no dia 1º de abril. Aí Lula (por intermédio de Paulo Okamoto), Rui Falcão e o próprio Dirceu anunciaram a intenção de usar a CPI do Cachoeira para tentar desmoralizar a peça acusatória do mensalão. Como a coisa pegou mal, tentaram recuar. Mas, vocês sabem, eu não sou petista nem gosto do PT. Assim, é razoável que alguns duvidem do que escrevo a respeito das intenções desses patriotas. Então por que não acreditar no que escreve Kennedy Alencar, insuspeito de antipetismo ou de isenção no que diz respeito ao partido? Leiam:“Quem conversou recentemente com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o ex-ministro José Dirceu e com cardeais petistas obteve algumas pistas que ajudam a explicar a origem dessa CPI. Em resumo, Lula e Dirceu não pretendem aceitar que o mensalão passe para a história como o escândalo de corrupção mais grave dos 512 anos de existência do Brasil.
Lula e Dirceu estariam dispostos “a dividir o país”, nas palavras de um cardeal petista, para evitar que o mensalão seja catalogado como o maior caso de corrupção da história. Isso significa mobilizar os setores mais organizados da sociedade que defendem o PT para uma batalha nas ruas, nas redes sociais e nas articulações em Brasília.”
Huuummm… Quem terá conversado com toda essa gente, hein? Kennedy certamente tem menos dificuldades para falar hoje com Lula do que quando era, oficialmente, seu assessor de imprensa. Se ele diz que o objetivo desses fidalgos da República é só livrar a cara dos mensaleiros, então convém acreditar. As afirmações que fiz no dia 1º de abril não eram só um delírio de um notório crítico do PT. Elas expressavam os delírios daqueles petistas. Não precisei falar com Lula, Dirceu e os cardeais para concluir isso precocemente. A lógica continua a ser uma boa fonte do analista. Com frequência, é melhor do que os políticos, que sempre tentam engabelar jornalistas. A lógica não engabela ninguém.
FascistoidesO fascismo tem características múltiplas, muitas faces e cor local. O italiano foi diferente do alemão, que foi diferente do português, que foi diferente do espanhol, que foi diferente do da República de Vichy… Com um núcleo comum de valores, cada qual teve as suas especificidades. Uma das características comuns foi o estado de permanente mobilização da sociedade contra “eles”, os “inimigos” — fossem chamados de “judeus”, “comunistas”, “imorais”, “liberais”… Essa sociedade permanentemente crispada pelo estado, estimulada a reivindicar seus direitos contra “eles” — nunca contra o estado —, costumava ir às ruas fazer protestos, exigindo reparações. Vale dizer: uma das características essenciais de qualquer fascismo se revela quando movimentos oficialistas pretendem tomar o espaço da contestação. Ou por outra: você está num regime fascista ou fascistóide quando forças da ordem tomam o lugar das forças de repúdio à ordem.
Não é isso o que vemos hoje? A canalha pode não estar nas ruas, mas se organiza na Internet, aparelhando sites dos grandes veículos de comunicação, as redes sociais, os ditos “movimentos sociais”… Incluem-se no grupo, é evidente os subjornalistas de aluguel, sustentados pelo governo ou pelas estatais. Esses vagabundos fazem o protesto a favor do establishment, a favor do poder, ainda que contra a noção mais comezinha de moralidade. E daí?
“O mensalão nunca existiu”, eles sustentam; tudo invenção da imprensa em conluio com Carlinhos Cachoeira. Muito bem… Mas o que o bicheiro tem a ver com a dinheirama movimentada por Marcos Valério ou com o pagamento a Duda Mendonça feito no exterior? Nada! Kennedy nos ensina:“Quando fala em ‘farsa do mensalão’, o ex-presidente busca relativizar o que ele mesmo sabe ser um desvio de conduta grave de uma legenda que nasceu se dizendo defensora da ética na política. Lula já disse que o PT errou, mas tenta minimizar o episódio, dando a ele ar de financiamento eleitoral e partidário ilegal.”Eu diria que o próprio Lula consegue ser mais severo com o PT do que o autor do texto. Eu diria que a expressão “financiamento eleitoral e partidário ilegal” consegue ser mais grave do as palavras cândidas escolhidas pelo articulista para definir o mensalão: “desvio de conduta grave”. Imaginem! Se você cruzar com um mensaleiro na rua ou no aeroporto, não hesite em ser duro com ele: “Você não passa de um sujeito com a conduta desviada!” No caso de ser um estuprador compulsivo, seja fulminante: “Sua conduta desvia da norma culta!” Seja implacável!!
A propósito: se Lula sabe que o mensalão foi um “desvio de conduta grave”, o que isso tem a ver com as outras picaretagens de Cachoeira? Em que estas minimizariam aquelas? A pergunta não tem resposta.
Essa movimentação a soldo na Internet, especialmente aquela que se faz contra a imprensa — como se as comprovadas malandragens de petistas fossem uma invenção do jornalismo em associação com Cachoeira —, é só uma das faces dos fascistóides. Sua expressão mais visível é a mobilização a favor da corrupção e de corruptos.
Os protestos de ontem em favor do julgamento do mensalão mostram que a sociedade ainda respira.
Por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A falência múltipla dos órgãos públicos!

Arnaldo Jabor – O GLOBO 17 Abr 12

Esse mar de lama pode nos purificar

Os corruptos ajudam-nos a descobrir o país. Há sete anos, Roberto Jefferson nos abriu a cortina do mensalão.
Agora, com a dupla personalidade de Demóstenes Torres, descortinamos rios e florestas e a imensa paisagem de Cachoeira.
Jefferson teve uma importância ideológica. Cachoeira é uma inovação sociológica.
Cachoeira é uma aula magna de ciência politica sobre o Sistema do país.
Vamos aprender muito com essa crise. É um esplendoroso universo de fatos, de gestos, de caras, de palavras que eclodiram diante de nossos olhos nas últimas semanas. Meu Deus, que riqueza, que profusão de cores e ritmos em nossa consciência política! Que fartura de novidades da sordidez social, tão fecunda quanto a beleza de nossas matas, cachoeiras, várzeas e flores.
Roberto Jefferson denunciou os bolchevistas no poder, os corruptos que roubavam por "bons motivos", pelo "bem do povo", na base dos "fins que justificam os meios". E, assim, defenestrou a gangue de netinhos de Lenin que cercavam o Lula, que, com sua imensa sorte, se livrou dos manda-chuvas que o dominavam. Cachoeira é uma alegoria viva do patrimonialismo, a desgraça secular que devasta a História de nosso país. Sarney também seria "didático", mas nada gruda nele, em seu terno de teflon; no entanto, quem estudasse sua vida entenderia o retrato perfeito do atraso brasileiro dos últimos 50 anos.
Cachoeira é a verdade brasileira explícita, é o retrato do adultério permanente entre a coisa pública e privada, aperfeiçoado nos últimos dez anos, graças à maior invenção de Lula: a "ingovernabilidade".
Cachoeira é um acidente que rompeu a lisa aparência da "normalidade" oficial do país. Sempre soubemos que os negócios entre governo e iniciativa privada vêm envenenados pelas eternas malandragens: invenção de despesas inúteis (como as lanchas do Ministério da Pesca), superfaturamento de compras, divisão de propinas, enfrentamento descarado de flagrantes, porque perder a dignidade vale a pena, se a grana for boa, cabeça erguida negando tudo, uns meses de humilhações ignoradas pelo cinismo e pela confiança de que a Justiça cega, surda e muda vai salvá-los. De resto, com a grana na "cumbuca", as feridas cicatrizam logo.
O governo do PT desmoralizou o escândalo, e Cachoeira é o monumento que Lula esculpiu. Lula inventou a ingovernabilidade em seu proveito pessoal. Não foi nem por estratégia política por um fim "maior" - foi só para ele.
Achávamos a corrupção uma exceção, um pecado, mas hoje vemos que o PT transformou a corrupção em uma forma de governo, em um instrumento de trabalho. A corrupção pública e privada é muito mais grave e lesiva que o tráfico de drogas.
Lula teve a esperteza de usar nossa anomalia secular em projeto de governo.
Essa foi a realização mais profunda do governo Lula: o escancaramento didático do patrimonialismo burguês e o desenho de um novo e "peronista" patrimonialismo de Estado.
Quando o paladino da moralidade Demóstenes ficou nu, foi uma mão na roda para dezenas de ladrões que moram no Congresso: "Se ele também rouba, vamos usá-lo como um Omo, um sabão em pó para nos lavar, vamos nos esconder atrás dele, vamos expor nosso escândalo por seu comportamento e assim, seremos esquecidos!"
Os maiores assaltantes se horrorizaram, com boquinha de nojo e olhos em alvo: "Meu Deus... como ele pôde fazer isso?"
Usam-no como um oportuno bode expiatório, mas ele é mais um "boi de piranha" tardio, que vai na frente para a boiada se lavar atrás.
Demóstenes foi uma isca. O PT inventou a isca e foi o primeiro a mordê-la.
"Ótimo!" - berrou o famoso estalinista Rui Falcão. - "Agora vamos revelar a farsa do mensalão!" -, no mesmo tom em que o assassino iraniano disse que não houve Holocausto. "Não houve o mensalão; foi a mídia que inventou, porque está comprada pela oposição!" Os neototalitários não desistem da repressão à imprensa democrática...
E foi o Lula que estimulou a CPI, mesmo prejudicando o governo de Dilma, que ele usa como faxineira também das performances midiáticas que cometeu em seu governo. Dilma está aborrecida. Ela não concorda que as investigações possam servir para que o Partido se vingue dos meios de comunicação e não quer paralisar o Congresso. Mas Lula não liga. "Ela que se vire..." - ele pensa em seu egoísmo, secretamente até querendo que ela se dane, para ele voltar em 14. Agora, todo mundo está com medo, além da presidente. O PT está receoso - talvez vagamente arrependido. Pode voltar tudo: aloprados, caixas
2 falsas, a volta de Jefferson, Celso Daniel, tantas coisinhas miúdas... A CPI é um poço sem fundo. O PMDB, liderado pelo comandante do atraso Sarney, também está com medo. A velha raposa foi contra, pois sabe que merda não tem bússola e pode espirrar neles. Vejam o pânico de presidir o Conselho de Ética, conselho que tem membros com graves problema na Justiça. Se bem que é maravilhoso o povo saber que Renan, Juca, Humberto Alves, Gim Argello, Collor serão os "catões", os puros defensores da decência... Não é sublime tudo isso? Nunca antes em nossa História alianças tão espúrias tiveram o condão de nos ensinar tanto sobre o Brasil. A cada dia, nos tornamos mais sábios, mais cultos sobre esta grande chácara de oligarquias. E eu estou otimista. Acho que tudo que ocorre vai nos ensinar muito. Há qualquer coisa de novo nesta imundície. O mundo atual demanda um pouco mais de decência política. Cachoeira, Jefferson, Durval Barbosa nos ensinam muito. Estamos progredindo, pois aparece mais a secular engrenagem latrinária que funciona abaixo dos esgotos da pátria. A verdade está nos intestinos da política.
Mas o país é tão frágil, tão dependente de acasos, que vivemos com o suspense do julgamento do mensalão pelo STF.
Se o ministro Ricardo Lewandowski não terminar sua lenta leitura do processo, nada acontecerá, e a Justiça estará desmoralizada para sempre.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Reflexões sobre política e militares

A crise decorrente da divulgação, pelos três Clubes Militares, de um manifesto relativo às questões suscitadas por declarações de ministras contrárias à Lei da Anistia, tendo como pretexto a Comissão da Verdade – que nenhum militar teme, mas deseja imparcial, buscando a verdade dos dois lados em confronto à época – trouxe à tona um assunto adormecido: a participação militar ostensiva na vida política do País, o que não ocorria desde a redemocratização.
A exemplo disso, cite-se Dora Kramer, que, em 26 de fevereiro afirmou no artigo "Por quem Serra cedeu", no jornal O Estado de S.Paulo: "Nostalgia. Os grupos de militares da reserva que reclamaram da falta de censura por parte da presidente Dilma Rousseff às críticas de suas ministras ao governo autoritário queriam o quê? Pelo visto, interditar o direito à livre manifestação, num surto saudosista. Foram obrigados a recuar, chamados à realidade de que estão fora do jogo político desde a volta ao País à legalidade com o fim do regime de exceção."
Como Major Brigadeiro da reserva da Força Aérea Brasileira, com quase 42 anos de serviços prestados a este nosso sofrido Brasil, com participação nas enchentes em Tubarão, Projeto RADAM, muitas buscas de aeronaves perdidas, resgates arriscados, comandos como o do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), ao qual o ITA se subordina, não poderia deixar de comentar o tema.
A crer-se na colunista, uma ministra dizer o que bem entende está certo; sua opinião não expressa a opinião do governo, não compromete as posições da presidente, ainda que em desacordo com supostas políticas governamentais ou compromissos presidenciais. O direito de se expressar é sagrado. Mas os Clubes Militares, entidades de Direito Civil (abertos a civis inclusive), por representarem militares não poderiam nem pensar, e menos ainda expor, opinião que desagradasse ao presidente de plantão. Para a jornalista, ao entrarmos para a vida militar, entraríamos na verdade num claustro, com voto de silêncio pelo resto da vida. Toda a nossa vivência, experiência profissional, tudo somado, não poderia contribuir para o aperfeiçoamento institucional da Nação, não seria alerta para correções de rumos, válvulas para controlar a pressão gerada por baixos salários, sistemáticas campanhas de difamação etc.
E não estaríamos, assim, diante de um desserviço ao Brasil? Ingressei na Força Aérea no início de 1965. Convivi com mais de mil cadetes, na faixa dos 18 aos 24 anos, com aspirações, desejos e esperanças de qualquer jovem da época. Vim de uma família pobre do interior de Minas Gerais. Nos quatro anos como aluno e cadete, que me lembre, ninguém foi preso, torturado ou expulso da Escola da Aeronáutica por razões políticas. Nem a seleção para o ingresso levava em consideração critérios políticos, apenas o mérito.
É bem verdade que além de não termos tempo, não discutíamos muito política e nem o proselitismo político era tolerado, como, aliás, acontece até hoje. Tudo que não se quer em país nenhum do mundo é Forças Armadas que respondam a interesses de partidos políticos e não do Estado. A História está repleta das consequências que isto acarreta: Gestapo, Exércitos Vermelhos, Forças de Libertação Nacional. Resultado: 6 milhões de judeus mortos, 65 milhões de chineses, 20 milhões de soviéticos (inclusive 7 milhões de ucranianos mortos de fome), 2 milhões de coreanos do norte, 2 milhões de cambojanos, 1 milhão de vietnamitas, 150 mil entre cubanos, nicaraguenses e peruanos, 45 mil na guerra das FARC na Colômbia, a esmagadora maioria, civis (guerra que ainda cobra seu preço em vidas humanas), cerca de 30 mil na Argentina e 3.000 no Chile.
Aqui tivemos a infelicidade de perder 372 brasileiros mortos ou desaparecidos, fatos atribuídos à Revolução, e 120 pelos terroristas de esquerda. Cerca de 370 militares do Exército participaram nas ações dos DOI - CODI, num efetivo de 150.000 homens. Não me parece que possamos chamar isto de militarização do Brasil. Pelo menos no que concerne à Força Aérea, a política partidária esteve de fora no período revolucionário e assim está até hoje.
A Guerrilha do Araguaia não foi iniciada pelos militares, mas por integrantes seniores do PCdoB e de grupos terroristas que preferiram o conforto da cidade, mas enviaram jovens para lá. Essa guerrilha estava sendo gestada desde 1961, antes da Revolução. Os militares que a combateram não foram para lá como voluntários, mas no cumprimento da missão de garantir a lei e a ordem.
A porta dos movimentos terroristas de esquerda só tinha uma via – a da entrada, uma vez que, por segurança, a ninguém era permitido sair vivo. Há como citar vários "justiçados". Daí que muitos, como Zé Dirceu, trocaram de identidade, às vezes com o auxílio das Forças de Segurança, e desapareceram.
Este não é um quadro edificante e teria sido melhor a nação não tê-lo vivido. Gorender, um dos expoentes da esquerda, escreveu que não se vai à guerra para levar flores, e a luta armada promovida pelas esquerdas não deixou dúvidas a esse respeito (ver: http://www.myspace.com/ video/vid/61840367).
Enquanto as Forças de Segurança do Estado evitaram ao máximo os efeitos da guerra sobre civis inocentes, boa parcela dos mortos e mutilados, provocados por atos terroristas, eram civis. Não jogamos bombas de napalm no Araguaia, não houve prisões em massa – cerca de 2.000, numa população de 100 milhões.
Querer estigmatizar as Forças Armadas, discriminar seus integrantes, atribuir-lhes crimes que não cometeram é inaceitável. Muito se fala em Herzog, um jornalista, mas nada sobre o operário Fiel Filho, também morto no DOPS de São Paulo. Sua morte, entretanto, acarretou a destituição do Comandante do 4º Exército, Gen. Ednardo D'Ávila, por Geisel, à revelia do ministro do Exército, Gen. Silvio Frota, também destituído depois, num claro recado de que ações daquele tipo não seriam toleradas.
Os militares e civis que fizeram a Revolução de 64 tinham um projeto para o País, incluindo-se educação. Lembram-se dos problemas dos "excedentes"? Da falta de vagas nas Universidades? Eu sou testemunha da dificuldade que era estudar neste interior do Brasil na década de 1950, início da de 1960. Em todo o Sul de Minas, que eu soubesse, não existia uma única escola pública além do primário. Meu pai foi um herói ao conseguir manter seus sete filhos na escola; todos obtiveram diplomas de curso superior, feito admirado pela comunidade até hoje. Saúde? Era para quem tinha dinheiro. Comida? Recebíamos alimentos enviados pelos americanos pelo projeto USAID.
Inflação nas alturas. Muitos indo à falência, entre os quais meu pai. Ninguém tinha experiência em sobreviver num ambiente inflacionário. O País no caos, com greves, manifestações e a indisciplina incentivada nas Forças Armadas. Brasil indo célere para uma ditadura comunista.
Havia de escolher-se um lado: soviéticos/comunismo, ou americanos/capitalismo. O povo escolheu os valores ocidentais e foi deflagrada a contrarrevolução, tão bem sucedida que nem um tiro foi disparado.
Os militares nunca tiveram como propósito se perpetuar no poder, tanto que fizeram uma transição pacífica em 1985 e sem perder o prestígio junto aos brasileiros: permanecem com mais de 70% de aprovação em todas as pesquisas recentes.
A Argentina destruiu seu poder militar e agora quer discutir as Malvinas com a Inglaterra. Com que cartas vai negociar? Já o Chile dispõe das mais modernas Forças Armadas do continente. A História dirá com quem está a razão.
A quem interessa, passados tantos anos, buscar este revanchismo a que estamos assistindo com "Comissão da Verdade Oficial"? Agressões a velhinhos, muitos deles, heróis da Segunda Guerra? O povo brasileiro quer ou precisa disso? E por que não aparecem vozes políticas de bom senso para colocar a discussão nos devidos termos?
Temos um embate assimétrico em curso: de um lado, partidos radicais de esquerda, com o amparo da mídia, e a conivência do governo, ao que parece; de outro, Instituições de Estado –as Forças Armadas, com mais de 70% de aprovação popular. Se as Forças Armadas reagirem, e isso pode acontecer, fatalmente teremos uma crise institucional. Ou, então, veremos, passivamente, uma campanha sistemática de desmoralização do poder militar brasileiro. Isto interessa ao Brasil ou é uma estratégia de poder de um grupo político?
Afinal, para que servem as Forças Armadas? Para garantir que cada brasileiro viva em paz em nossa terra, objetivo alcançado e que deve ser mantido. A paz, porém, poderá ser ameaçada se grupos radicais insistirem numa linha de confronto.
Adenir Siqueira Viana é Major Brigadeiro do Ar da Reserva da Força Aérea Brasileira e professor nos Cursos de Logística e Ciências Aeronáutica da Universidade do Sul de Santa Catarina - UNISUL

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Lula quer fazer uma pizza do Mensalão

Lula e petistas aumentam pressões sobre STF pelo mensalão
CATIA SEABRA
FELIPE SELIGMAN
NATUZA NERY
DE BRASÍLIA
Atualizado às 08h30.

Sob a supervisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integrantes do PT se lançaram numa ofensiva para aumentar a pressão sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal que julgarão o processo do mensalão.
Parlamentares e petistas com trânsito no Judiciário foram destacados para apresentar aos ministros a tese de que o julgamento não deve ser político, mas uma análise técnica das provas que fazem parte do processo.
O medo dos petistas é de que os ministros do tribunal sucumbam a pressões da opinião pública num ano eleitoral. O mesmo movimento tenta convencer o Supremo de que o julgamento não deve acontecer neste ano.
Um dos petistas que participam da ofensiva disse à Folha que fez chegar a integrantes do STF a avaliação de que não há provas suficientes para condenação do ex-ministro José Dirceu e do ex-presidente do PT José Genoino.
Na denúncia que deu origem ao processo do mensalão, Dirceu é apontado pela Procuradoria-Geral da República como chefe de um esquema que teria desviado recursos públicos para os partidos que apoiavam o governo Lula no Congresso.
O foco mais evidente do assédio petista é o ministro José Dias Toffoli, que foi assessor do PT e advogado-geral da União no governo Lula. Emissários do ex-presidente já fizeram chegar a Toffoli a preocupação com a possibilidade de ele se considerar sob suspeição durante o julgamento do mensalão.
Responsável pela indicação de Toffoli, o próprio Lula passou a reclamar dele. Segundo petistas, o ministro estaria emitindo "sinais trocados" sobre o julgamento.
Toffoli pode se declarar impedido para julgar o caso, por causa de seu envolvimento com o PT e o governo Lula, e porque sua namorada foi advogada do ex-deputado Professor Luizinho (SP), que também é réu no mensalão e hoje está afastado da política.
À Folha Toffoli disse que não se considera impedido, mas que só tomará uma decisão quando o julgamento estiver marcado. "Ele não tem esse direito", disse o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), amigo do ex-presidente.
Segundo a Folha apurou, Lula já afirmou a ao menos dois ex-ministros de seu governo que não gostaria que o julgamento ocorresse neste ano por temer prejuízos aos candidatos que apoiará nas eleições municipais. Dos 11 integrantes do Supremo, seis foram nomeados por Lula.

PRESSÃO JURÍDICA

Além da movimentação política, os ministros também passaram, nos último meses, a receber outro tipo de pressão, desta vez jurídica, vinda de Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça de Lula.
Contratado para defender um ex-diretor do Banco Rural que também é réu, Thomaz Bastos enviou ao Supremo uma questão de ordem para tentar mais uma vez desmembrar o processo.
Isso deixaria no tribunal apenas três réus e mandaria para a primeira instância todos aqueles que não têm foro privilegiado no Supremo, entre eles Dirceu e Genoino.
O STF rejeitou a ideia em 2006, quando a denúncia ainda não havia sido aceita pelo tribunal e a discussão foi proposta pelos advogados do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.
Thomaz Bastos diz ter novos argumentos para defender a tese e já conseguiu convencer parte dos ministros do STF de que será preciso analisar a questão novamente antes do julgamento.

domingo, 15 de abril de 2012

Águas da Cachoeira.........

13
 
A feijoada está cheia de laranjas os tubarões estão brindados.
13/04/2012 14:59
Cachoeira faz negócios com a Delta, de Cavendish, que tem contratos milionários com Cabral, seu grande amigo
Cachoeira faz negócios com a Delta, de Cavendish, que tem contratos milionários com Cabral, seu grande amigo
O clima em Brasília é de velório. A oposição e o governo não sabem o que fazer com o defunto. Pra se ter idéia da confusão, ninguém mais quer CPI, mas não sabem como fazer pra se livrar dela. Vejam a que nível chegou a situação. Ontem, o presidente do Senado, Joseé Sarney (PMDB – AP) colocou emissários para ouvir lideranças expressivas do PMDB por todo o país (governadores, senadores e deputados federais) para sentir deles a temperatura. Todo mundo estava com os nervos à flor da pele e ninguém quer a CPI. Do interlocutor que falou em nome do governador Sérgio Cabral, o emissário de Sarney ouviu o seguinte: ”Vocês querem levar o Cabral pra cadeia e enrolar a vida da Dilma? É melhor parar com essa brincadeira de CPI”. E completou ao perplexo ouvinte do outro lado da linha: "O helicóptero que caiu lá na Bahia estava levando Cabral pra casa do Cavendish (dono da Delta), ele não quer nem ouvir falar nesse assunto de investigação”. É realmente o clima está pesado e sobre isso vale a pena lerem o artigo do blog Brasil 247.
Reprodução do blog Brasil 247




sábado, 14 de abril de 2012

QUE FIQUEM EM SILÊNCIO


Aileda de Mattos Oliveira*
Quem se movimenta em torno do epicentro do Executivo sempre é atingido pelas emanações hipnóticas do Poder. Contudo, deixam-se envolver os que já eram propensos ao desvio de reta e flexíveis às seduções de cargos e funções.
“Movimentar-se em torno” não significa aderir, prostrar-se, anular-se. Mas a terrível fonte de atração é inebriante, superior às forças de reação, se é que haja vontade de reagir. As consequências não se fazem esperar e já vêm com o rótulo adequado às novas circunstâncias: ‘Sujeição’.
O que não se admitia acontecesse, mas infelizmente é uma verdade que se constata com frequência indesejável, são representantes das Forças deixarem de “circular em torno” para penetrarem no círculo e nele alimentarem-se do tal “senso comum”.
Lamenta a parte escrupulosa da sociedade que essa cooptação tenha atingido alguns, mais do que se admitia, deixando-a decepcionada pela deserção aos juramentos anteriormente assumidos, de manterem-se, unicamente, em defesa do Estado Brasileiro e não de partidos políticos de cores antinacionais. Esta parcela íntegra da sociedade ainda deseja crer, a todo custo, que a transparente acomodação seja uma oculta manobra estratégica. Mas isto é uma ilusão.
É um enganar-se para não sofrer. Coisas de masoquistas. Enquanto isso, a Instituição Militar continua a ser vilipendiada pelos que atentaram contra os quartéis, e, no entanto, hoje, dominam o ministério da antidefesa, recebem medalhas designadas com os nomes ou as qualidades dos heróis nacionais, num enxovalhamento, total, da simbologia da militar. Que valor terão elas agora? Que alguém probo, com serviços prestados à Nação vai querer recebê-las e levá-las ao peito, e igualar-se, por baixo, aos réprobos nacionais?
Antes, desejava-se que os militares viessem a público expressar a posição da caserna sobre tantos fatos criados, unicamente, para humilhá-los. Houve tempo em que se indagava a razão do incomodativo silêncio, quando as ações revanchistas iniciaram, com o furor da ignorância, como é característico aos sectários da seita, por caberem, justamente aos militares, a manutenção da integridade do Estado, em benefício mesmo da própria presidente inoperante, mesmo sendo ela uma fraude, mesmo tendo ela um histórico a lamentar. São paradoxos da tal democracia, hipócrita forma de governo, pelo menos, no Brasil.
Agora, chega-se à conclusão de que os militares realmente devem calar-se; emudecer-se; silenciar-se. Por quê? Porque já não têm nada a dizer. Recebem de quem jamais poderia presidir a Nação ordens nervosas, desequilibradas, para apagarem da memória o inesquecível 31 de Março e outras efemérides tradicionais, de grande peso cívico, e continuam a manter-se num mutismo incompreensível, omitindo-se, deixando perder-se no ‘não dizer’ a resposta merecida, mas dura, à descabida provocação de quem tem contas a ajustar, primeiro, com a sua própria consciência. Nesse caso, fiquem como estão: calados.
Se a comandante em chefe diz não ter do que se arrepender do seu passado negro, como têm que renegar o seu, construído dentro dos deveres castrenses, os que cumpriram e cumprem as leis constitucionais em defesa do regime e da unidade nacional, leis que a estão beneficiando?
No silêncio, pelo menos, pode-se imaginar que estão a refletir ponderadamente sobre a situação, a fim de melhor solucioná-la, mas também pode levar a que se pense que nada mais há a fazer. Pelo menos, no idealismo da sociedade pensante, há a possibilidade de se optar pela primeira hipótese, a fim de manter acesas as esperanças e não deixar-se levar pelo fatalismo típico dos defensores da instituição do regime macunaímico, o regime da presidente. Neste último caso, fechar-se-ia a cortina desse teatro da falsa república e surgiria a República Democrática dos Farsantes.
Antes que alguém critique a crítica, afirma-se, aqui, que liberdade de criticar tem quem mais defende o criticado e a autora destas palavras ‑ indignada com os atos próprios de energúmenos, de vandalismo verbal e físico, de predadores da história brasileira, iconoclastas de heróis febianos ‑ está entre os mais constantes defensores das Forças Armadas.
Recebam estas ressalvas, caros militares da Ativa, como resultantes do desapontamento, mais um, se não prevalecessem o egoísmo e a avidez dos cargos. Agradecida ficará esta articulista com aqueles que compreenderem este desabafo e, em pensamento, responderem com uma simbólica continência, se acharem que a merece.
(*Prof.ª Dr.ª em Língua Portuguesa. Articulista do Jornal Inconfidência. Membro da Academia Brasileira de Defesa. A opinião expressa é particular da autora.)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

OPERAÇÃO MORDAÇA - CAPITULO I

09/03/201220:17

Ainda estava escuro, quando às 6 horas da manhã, do dia 29 de fevereiro de 2012, a mansão de luxo, na Rua Cedroarana, Quadra G-3, Lote 11, no Residencial Alphaville Ipês, em Goiânia, de propriedade do governador de Goiás Marconi Pirillo até 2010, foi invadida pela “swat” da Polícia Federal. Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso numa ação cinematográfica. O arrombamento da porta da sala e a chegada dos agentes federais ao quarto de Carlos Cachoeira coroava a Operação Monte Carlo. 
Cachoeira, como é chamado, acordou assustado. No corredor, a sua prisão era assistida pela fresta da porta por uma criança de 12 anos, sua enteada, e pela esposa, Andressa. O delegado que comandava a operação pediu que o contraventor abrisse o cofre, mas Cachoeira argumentou que não sabia o segredo. Só Andressa tinha a senha. A polícia entrou no quarto e exigiu que o cofre fosse aberto. Imediatamente a esposa de Cachoeira mostrou o que havia guardado em segredo: joias, inclusive de família, uma quantia em dinheiro de um imóvel vendido por Andressa, documentos e alguns DVDs de conteúdo ainda não revelado.
Governador de Goiás Marconi Perillo
O delegado espalhou sobre a cama todas as joias, a maioria herança de família, principalmente dos avós e do ex-marido de Andressa Wilder Morais, atual suplente do senador Demóstenes Torres (DEM-GO). A esposa do contraventor pediu ao delegado que deixasse as joias e que não invadisse o quarto que sua filha dormia. O pedido foi atendido. Cachoeira foi levado pela polícia, enquanto a criança atônita tentou ir ao seu encontro, sem entender o que se passava. Até este momento, Andressa estava forte. Mas ao ver a filha, a esposa de Cachoeira desmontou.
 
A Polícia Federal acreditou ter fechado a Operação Monte Carlo naquele momento, mas não sabia que ali começava um dos maiores escândalos da política brasileira. Cachoeira foi para a carceragem da PF em Brasília e preferiu o silêncio.
 
Em fevereiro de 2004, Carlinhos foi protagonista do escândalo Waldomiro Diniz, onde o assessor do ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, foi denunciado por receber propina do esquema de jogo clandestino no país. Naquele momento, Cachoeira recebeu total apoio do PT comandado por Zé Dirceu, que rotulava o contraventor como “empresário do jogo”, e o Ministério Público como “aparelho repressor e conspiratório.”
 
José Dirceu 
  
O ministro da Justiça era Márcio Tomaz Bastos. O advogado, era Antônio Carlos de Almeida e Castro, o Kakay. Quem acusava era o mesmo Ministério Público, que agora também comanda a operação só que a serviço do PT .
 
As digitais do PT foram constatadas quando a Polícia Federal começou as investigações sob o comando da sede em Brasília. O Palácio do Planalto acompanhava tudo e aguardava o momento certo para contrapor o escândalo do Mensalão que será votado nos próximos meses pelo Supremo Tribunal Federal.
 
Cachoeira tinha um forte esquema de proteção na Polícia Federal de Goiás, onde contava com seu fiel escudeiro o chefe da inteligência da Polícia Federal. Cachoeira sempre foi um homem muito bem relacionado. Colaborador de todas as horas nas campanhas políticas, principalmente do PT. As investigações aconteciam e surpreendiam o comando da PF. Políticos de alto escalão se misturavam com empresários e contraventores.
 
Cachoeira foi transferido como preso comum para a Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Desembarcou na cidade sob um sol escaldante, de 42 graus, e foi levado para a cela 17 do presídio. Parecia que a situação tinha chegado ao fim, quando o contraventor foi chamado para raspar a cabeça e receber o tratamento de preso de alta periculosidade. Enquanto a máquina deixava à vista o couro cabeludo de Cachoeira, lágrimas de ódio rolavam pelo seu rosto. Naquele momento, revendo o filme da prisão de Fernandinho Beira Mar, o silêncio de Carlos Cachoeira se transformava em ira contra o PT. Somente no dia seguinte teve o direito de encontrar seu advogado Ricardo Sayeg.
 
Aí começava o desabafo de alguém que sabe muito e não vai evitar a vingança. Os responsáveis pela Operação Monte Carlo foram os petistas, o alvo; o líder de oposição Demóstenes Torres (DEM-GO) e a isca; o mesmo Cachoeira que no passado foi tão amigo do PT, e agora tão usado.
 
Com a chegada do senador Aécio Neves (PSDB-MG) no Congresso, era esperado que naturalmente o neto de Tancredo Neves fosse o líder da oposição ao Governo Dilma. Aécio recebeu algum recado e se mantem apagado no cenário político. Com isso, o líder do Democratas se destacou nacionalmente como o homem que lidera a oposição. Com o destaque, o senador passou a ser o inimigo número um do Partido dos Trabalhadores, que começou a caçada. Aécio Neves, taxado por ter telhado de vidro, trabalhou como bom mineiro, no silêncio, e assiste o colega de oposição servindo de boi de piranha. Nos bastidores se comenta que Aécio só irá assumir a liderança da Oposição no último ano do Governo Dilma evitando o desgaste prematuro.
 
 Aécio Neves 
 
Apesar do PT ter pesado a mão sobre Demóstenes Torres não foram encontradas provas que possam calar a voz da oposição. A relação do senador com Carlos Cachoeira é meramente social, como as mantidas com outros empresários do estado de Goiás. É menos íntima, por exemplo, do que a mantida entre o ex-presidente Lula e o seu churrasqueiro Jorge Lorenzetti, envolvido num escândalo de repasse de R$ 18,5 milhões em verba pública para sua ONG. Tanto barulho por conta de um fogão e uma geladeira, presente de casamento da esposa de Carlinhos para a esposa de Desmóstenes, amigas de longa data? Com certeza, há mais fartura à mesa do PT.
 
O exército de Cachoeira também foi desestabilizado. Funcionários públicos, empresários, políticos, policiais, familiares e pessoas que emprestavam o próprio nome para manter a força e o poder de quem hoje detém um arsenal capaz de mudar a história política do país foram presos ou desarticulados com a Operação Monte Carlo.
 
Cachoeira sempre foi um homem prevenido. Na era dos escândalos detonados dentro e fora dos Governos, o contraventor documentava todos os encontros com seus “parceiros”, em vídeo, áudio, contratos de gaveta, e as transações bancárias no Brasil e no exterior. Monitorava seus “sócios” através de agentes de informações. Durante todos esses anos que transitou nas altas rodas políticas e sociais do país, Carlinhos Cachoeira produziu vários documentários, capazes de mudar o curso da vida, principalmente de quem será julgado ainda este ano pelo Supremo, com a chance de ter o ministro algoz do Mensalão do PT, Joaquim Barbosa, na presidência da maior instância jurídica do País.
 
No encontro com o seu advogado Ricardo Sayeg, em Mossoró, Cachoeira avisou que a família e amigos tem nas mãos “esse” material que será despejado na imprensa nos próximos dias. Nesta sexta-feira, o contraventor começou a cumprir sua promessa. A Revista Veja, divulgou on line, vídeo no qual Carlinhos tem uma conversa com o deputado federal Rubens Otoni (PT-GO), na qual oferece R$ 100 mil para ajudar o petista e insinua já ter contribuído com a mesma quantia para o candidato em outra campanha.
 
Só um detalhe: Otoni nunca declarou a quantia ao Tribunal Regional Eleitoral e não consegue explicar o porquê disso
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A TRAJETÓRIA DE CACHOEIRA
 
Carlinhos Cachoeira cresceu no meio da jogatina. Seu pai fez parte do grupo de Castor de Andrade e levou para Goiás o conhecido jogo do Bicho. Seus irmãos difundiram pelo Estado o jogo e a chegada das máquinas caça-níqueis. Cachoeira, no entanto, se aperfeiçoou com projetos oferecidos em vários Estados batizado de On Line Real Time. Trata-se de um software que permite ligar as caça-níqueis diretamente à Caixa Econômica, buscando, aos moldes das Loterias, a legalização do jogo.
 
Carlinhos montou várias empresas para gerenciar o jogo nos Estados. E começou sua fortuna. Procurava grupos coreanos, italianos, espanhóis e vendia à vista, a exploração do jogo pelo país. Assim passou a recrutar políticos que viabilizavam a exploração dos jogos de azar pelos Governos estaduais.  Cachoeira sofisticou seus negócios a partir da implantação de seu novo sistema com o apoio do então governador de Goiás Maguito Vilella, padrinho do seu primeiro casamento. Carlinhos criou a empresa Gerplan no governo de Vilella.
 
 Com a entrada do governador tucano Marconi Pirillo,  o empresário do jogo expandiu seus negócios para vários Estados, até bater de frente com os interesses do então ministro chefe da Casa Civil, o petista Zé Dirceu.
 
Waldomiro Diniz, assessor de Zé Dirceu na Casa Civil, trabalhava para a família Ortiz, forte concorrente de Carlinhos Cachoeira.  Os Ortiz lutavam pela permanência do jogo clandestino, pois reconheciam que o negócio era mais rentável. Carlos Cachoeira queria a legalização porque detinha toda uma estrutura profissional com tecnologia de hardware e software para a arrecadação do jogo pelo governo em tempo real  e com a garantia de desconto dos impostos.
 
Waldomiro Diniz
 
Cachoeira então gravou Waldomiro pedindo propina para a campanha do PT em 2002. Com isso, o empresário do jogo usava o flagrante para combater a propina paga pela família Ortiz ao assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, responsável também pelo pagamento do mensalão do PT dentro do Congresso Nacional.
 
Waldomiro era tido como uma águia, mas foi abatido pelo Ministério Público em pleno vôo. O escândalo fragilizou José Dirceu permitindo o ataque de Roberto Jefferson, que culminou com a cassação do mandato de deputado e a demissão da Casa Civil.
 
Cachoeira foi cercado de atenções pelo PT durante todos esses anos para evitar um escândalo maior em torno do financiamento de campanhas em vários Estados. Este roteiro, com conteúdo explosivo, desta vez virá à tona, pois Carlinhos planeja em sua solidão na cela 17 do Presidio de Segurança Máxima de Mossoró, como se vingar do PT que o abandonou e o colocou nesta situação.
 
Nesse arsenal explosivo tem várias empresas: Construtoras, Laboratórios, Bancos no Brasil e no Exterior. Na próxima edição, o Quidnovi vai mostrar, com documentos, como a máfia do jogo atua com o braço político nos cofres públicos.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

ESTIGMA


Luiz Fernando Veríssimo continua rebelde. Aliás, quando sua rebeldia escasseia ou diminui, ele vai a Paris recarregar suas baterias ideológicas, reunindo-se no Quartier Latin ou em Montmartre com outros criptocomunistas, para filosofar sobre o insucesso do COMUNISMO e do SOCIALISMO REAL e desfrutar um bom vinho, feito de uvas de castas selecionadas, pois ninguém é de ferro; leva a tiracolo seu saxofone para confraternizar com músicos e artistas “avançados”, as belas noites da cidade luz. No retorno, depois de se empanturrar de FAISÃO e PERU, volta arrotando JACU.
Nas edições dos primeiros dias de abril de 2012, dos Jornais O Globo e Zero Hora, mais uma vez, descarrega sua repulsa ao segmento militar, agredindo velhos soldados, segundo ele, pertencentes “ao Clube de reformados das Forças Armadas contrários ao esclarecimento final do que houve nos anos de rebeldia e repressão”, de quem “só se pode esperar bravatas vazias”. Sobre as agressões sofridas por esses mesmos velhos soldados em frente ao Clube Militar, no dia 29 de março, nenhuma palavra ou crítica; como tantos ”intelectuais orgânicos engajados” sua “moeda democrática” só tem uma face.
Manifesta, também no artigo, uma dúvida, sobre o que acham os soldados de hoje, a respeito da instalação e do funcionamento da Comissão da Verdade e o ”nível de insubordinação entre os da ativa”.
Como velho soldado asseguro-lhe que os jovens oficiais exercitam as mesmas virtudes, por ele desconsideradas, dos seus antigos chefes, alguns deles enaltecidos e cultuados no Panteão da Pátria: lutaram em Guararapes para expulsar os invasores; participaram dos embates pela independência do país; sufocaram inúmeras revoltas no período regencial, mantendo incólume o território nacional; colaboraram para a erradicação da escravatura no país e lideraram os acontecimentos para a implantação da República; sustentaram, ainda, Getúlio Vargas na Revolução modernizadora de 1930 e sufocaram a Intentona Comunista de 1935 e a revolta Integralista de 1937.
Com a Força Expedicionária Brasileira (FEB) lutaram e morreram no Teatro de Operações da Itália, colaborando para derrotar o nazi-fascismo que infernizava o mundo.  Por último, e não menos importante interveio no processo político em 1964, quando a sociedade brasileira exigia inconformada que a baderna e o desgoverno tivessem um fim.
Colocaram, depois disso, o Brasil nos trilhos do desenvolvimento e na senda da ordem e do progresso.  Contaram para isso, com o incondicional apoio da sociedade brasileira e dos governadores eleitos dos principais Estados da Federação, entre eles, Minas Gerais, São Paulo, Guanabara e Rio Grande do Sul e muitos outros.
Essas evidências o irritam e o tornam mais rebelde, quando é obrigado a confrontar o pífio desempenho dos governos atuais, dos quais é entusiasta, com as realizações em todos os campos do Poder Nacional, dos governos militares. Naquela época, apesar das restrições naturais à liberdade de determinados militantes, não havia a repartição do butim, como ocorre hoje. E os mais velhos sabem disso.
Embora considerem a Comissão da Verdade inoportuna e com vícios de origem, asseguro-lhe que os militares não são contra sua Instalação, desde que ela, depois de passadas as naturais e compreensíveis disputas sustentadas pelo viés ideológico, sem revanchismos e sem afrontar a Lei da Anistia, venha a apurar, de forma isenta (de preferência integrada por historiadores sérios e não engajados) todos os episódios de triste memória, cometidos pelos lados em confronto.
O que não aceitam os militares é a estratégia urdida nas coxias do ressentimento, preparada para achincalhar e responsabilizar somente o EXÉRCITO INVICTO DE CAXIAS, uma das mais sérias Instituições deste país, objetivo velado de elementos inconformados e sectários da velha esquerda, historicamente impedidos de implantar no país regimes estranhos à nossa tradição, por esse mesmo Exército.    
O que não aceitam os militares é que os membros desta COMISSÃO sejam indicados por indivíduos que participaram ativamente de Organizações Terroristas violentas, responsáveis pela morte, em vários casos, de cidadãos inocentes (civis e militares), quando explodiram, sequestraram, assaltaram, assassinaram e roubaram estabelecimentos bancários, sem medir suas consequências.
Não seria prudente para a pacificação dos espíritos e, com certeza, um atestado de ingenuidade, entregar à raposa as chaves do galinheiro, para decidir tema complexo, controverso e de natureza discutível.
O que teria a ganhar a maioria esmagadora dos brasileiros que vivem hoje em uma nação pacificada e que desfruta os benefícios do regime democrático, com atitudes e posturas que fomentam o ódio e a cizânia, insistindo em reabrir feridas quase cicatrizadas.

                            Gen Bda Ref. Carlos Augusto Fernandes dos Santos