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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O preço do futuro almejado

Caros amigos,

Estou fortemente convencido de que não é do interesse da Força ou de qualquer de seus integrantes e muito menos dos nossos Chefes de hoje e de ontem a divisão do Exército em “da ativa” e “da reserva”, muito embora tenha identificado atitudes pontuais, de ambos os “lados”, que, mesmo sem querer, fomentam a divisão.

São arroubos de indignação, na maioria das vezes motivados por desconhecimento, desinformação ou precipitação, dos companheiros inativos que, no dizer do Gen Octávio Costa, “têm a farda como outra pele, aderida à alma, irreversivelmente, para sempre”, o que pode não justificar determinadas atitudes e interpretações, mas as explica sobejamente!

São as mágoas e incompreensões dos camaradas da ativa que, por estarem em dia e em ordem com os acontecimentos, decisões, planos, projetos e circunstâncias não aceitam as críticas, devidas ou indevidas, dos que, mesmo errados ou enganados, só pensam e agem em favor do bem da Força e que merecem a complacência e a consideração de uma explicação que, na maioria das vezes, “está no site”, o que é sabidamente insuficiente!

Por outro lado, vivendo em Brasília e estando, portanto, mais próximo do que está a ocorrer no Exército, estou também convencido de que há bons motivos para acreditar que os dirigentes políticos, por piores que sejam, finalmente entenderam que as Forças Armadas são fundamentais e imprescindíveis para dar suporte e garantia aos compromissos internacionais e à conquista do espaço que o Brasil pretende e deve ter no concerto das nações.

Este entendimento, mesmo que não se respalde na lógica do estudo geoestratégico, fartamente conhecido por gerações de militares, se deve à conclusão, também lógica, de que, neste momento, as Forças Armadas são as únicas instituições sérias e confiáveis do País e que, portanto, precisam estar preparadas e equipadas de acordo com a importância das suas missões constitucionais.

A organização e a segurança dos grandes eventos assumidos pelo Brasil para os próximos anos, Copas e Olimpíadas, impõem seriedade e competência e, por isto mesmo, não poderão ser entregues a outras instituições que não às Forças Armadas, em particular ao Exército Brasileiro.

Seja por razões estratégicas ou por necessidade de garantia de sucesso nos eventos esportivos mundiais, a verdade é que as Forças Armadas nunca estiveram tão perto de conquistar as capacidades que sempre almejaram e que farão com que tenham, no momento oportuno e decisivo, o poder e a estatura compatíveis com as dimensões, as responsabilidades, a importância e as riquezas do Brasil.

Por outro lado, infelizmente, também constato que há um preço a pagar por esta perspectiva de conquista do futuro almejado, qual seja o esquecimento de uma parte importante e fundamental da história recente do País, na qual a Forças Armadas, em especial o Exército, desempenharam papel preponderante e asseguraram a preservação dos valores e dos pressupostos que sempre nortearam a evolução da nacionalidade e o amadurecimento político da Nação.

É triste ver velhos camaradas, apontados, até há pouco, como exemplos, que arriscaram suas vidas e expuseram suas famílias às ameaças de fanáticos terroristas, no estrito cumprimento do dever e das ordens recebidas, serem abandonados à própria sorte como se esse tempo, essas ordens, seus feitos e suas vitórias nunca tivessem existido e seu sangue nunca tivesse sido derramado!

Não existem, com certeza, dois Exércitos, mas, aparentemente, uma parte dele está sendo deixada para trás, sua lembrança e seus feitos estão sendo extirpados como se fossem cânceres da história e da memória ou como condição imposta para que o Exército tenha a dimensão e as capacidades que o Brasil precisa e o futuro exige.

Torço e rogo a Deus para que o que interpreto e lamento como fato seja mais um arroubo de indignação, motivado por desconhecimento, desinformação ou precipitação e que eu, mais uma vez, esteja errado!

Gen Bda Paulo Chagas

Um comentário:

  1. Meus amigos


    Sem querer polemizar, mas já polemizando, queria acrescentar algumas considerações pessoais sobre este excelente artigo do nosso nobre cavalariano P Chagas.


    Vou tratar dos quatro últimos paragrafos.
    Há um preço a pagar, o esquecimento....
    Não , não acho que devamos esquecer.
    Acho que o pessoal da ativa tem o dever de não tocar em assuntos que firam suscetibilidades dos comandantes em chefe do momento, mas nós da reserva temos a obrigação de continuar divulgando a verdade do que ocorreu.

    Não fizemos nada do que nos envergonhar. Os companheiros que hoje estão sendo crucificados por uns esquerdóides delinquentes, precisam de nosso apoio.
    A verdade deve ser dita em alto e bom som para todos aqueles que não viverem aquela época.
    Temos que apoiar o Cel Ustra para que não seja considerado culpado de algo que não fez..


    Nossos chefes de hoje tem a obrigação de cumprirem as normas e o pensamento da nossa presidente. Para isso somos formados.


    Nós da reserva temos que continuar apoiando nossos chefes da ativa, nada de críticas porque não temos todos os dados do problema, a nossa desunião só interessa aos esquerdistas de plantão.
    Por outro lado , não podemos esquecer os companheiros da reserva que lutaram o bom combate e venceram, apesar de todas as vicissitudes.


    Portanto, não abandonemos os velhos camaradas, esta é a nossa obrigação e é proibida para os companheiros da ativa.


    Não existem dois exércitos e nenhum está sendo deixado para trás, apenas não podem e não devem fazer parte de comemorações oficiais.
    Todos os capitulos de nossas armas devem ser comemorados pelo pessoal da reserva, sem atingirmos a nossa Cmt em Ch, mas relembrando os feitos heróicos daqueles que nos antecederam.


    Meu prezado amigo P Chagas não lamente sua interpretação, apenas entenda que nossas comemorações e nossa historia tem que ser relembrada fora dos quartéis, porque os tempos são outros, mas nem por isso devemos deixar de nos reunir e fazer nossas relembranças.


    Com o meu abraço


    Gen Bda Refo Manoel Theophilo

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