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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Aula sobre o Sexo Anal

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Sérginho - Tu MMM 72 - Notícia Internacional!


Sergio Santos completa os 21km na Meia Maratona do Rio em 2h10min

Prova bate recorde com 20 mil inscritos entre os percursos de 5km e 21km

Por Rio de Janeiro

Sergio Silveira Dos Santos, 66 anos, foi o destaque na Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro. De acordo com os cronômetros oficiais, ele fez 02:10:00 na prova de 21km.
Clique na imagem para ampliar
Sergio ficou na 71ª colocação na categoria de 65-69 anos, e 5972º no geral da distância com um pace médio de 06:11 min/km.
Na edição 2013 a Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro se confirmou como maior prova da distância no país, batendo o recorde de 20 mil inscritos.
Com largada na Praia de São Conrado, os corredores de 21km subiram a Avenida Niemeyer, tendo o mar como companhia constante. Seguiram pelas orlas de Leblon, Ipanema e Copacabana, as praias mais famosas da zona sul carioca. Passaram o túnel para conferir a bela vista do Corcovado, antes de seguir, pelo Aterro do Flamengo, até a chegada em frente ao Monumento aos Pracinhas.
Assista ao vídeo: http://www.midiasport.com.br/images/videos/3351/21k/2-25-30_2-26-0.mp4

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Entrevista com o Tenente-Coronel Nestor da Silva (pai do Cel Nestor - Tu MMM 72)

Tenente-Coronel Nestor

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Patrulha da FEB nos campos de batalha da Itália
Entrevista com o Tenente-Coronel Nestor da Silva, militar da reserva, que integrou a Força Expedicionária Brasileira (FEB).
EBlog: TC Nestor, há muitas versões sobre a mobilização e o treinamento da FEB. Como o Sr. vivenciou essa etapa, antes de seguir para a Europa?
TC Nestor: Com a decisão definitiva da criação da FEB, foram selecionados os três Estados mais populosos e ricos do país – RJ, SP e MG -, de onde sairiam os três Regimentos de Infantaria (RI) que comporiam a Força Expedicionária Brasileira – FEB. A mobilização passou a ser sinônimo de dificuldade de toda ordem, dadas às condições físicas, intelectuais e de pobreza existentes em cada área onde iria ser selecionado, particularmente, o pessoal. O tempo passava e a FEB não se organizava. Os três RI (1º, 6º, e 11º) se reuniram no Rio de Janeiro e a mobilização continuava ainda inacabada, pois, só depois de concluída, poderia, naturalmente, iniciar-se, o também necessário e urgente treinamento. Eu vivenciei a mobilização, inicialmente em São João Del Rey –MG, sede do 11º RI, depois em contato com os dois Regimentos de Infantaria: 1º RI do Rio de Janeiro e 6º RI de Caçapava –SP. Em seguida, começou o tão esperado e indispensável treinamento da FEB, ainda no RJ. Por causa dessas grandes dificuldades, surgiram insinuações maldosas de que era mais fácil uma cobra fumar do que a FEB embarcar para a guerra na Itália. Daí surgiu o nosso querido e respeitado distintivo “A cobra fumando’’ encimado pela palavra BRASIL. Por fim, a FEB embarcou para a guerra na Itália, lutou e venceu um inimigo valente. Estamos certos de que a “Cobra Fumou’’ e fumará sempre que o Brasil precisar.
EBlog: Na sua opinião, as tropas brasileiras estavam bem preparadas quando entraram em combate?
TC Nestor: O Exército Alemão se preparou para a guerra durante muitos anos. Assim, estava bem preparado. O Exército Brasileiro, ao contrário, nem pensava ainda em entrar em uma guerra. Das conversações entre os governos americano e brasileiro, a FEB deu início à mobilização e ao treinamento intensivo no Campo de Instrução de Gericinó. A mobilização aos poucos foi tomando forma até o final de 1943. No início de 1944, os RI reunidos no Rio de Janeiro deram continuidade ao treinamento, inclusive com uma vacinação completa da tropa, e paralelamente a outras atividades militares de capacitação para a guerra. Os americanos exigiam urgência na ida da FEB para a Itália. Assim, ela se dividiu em dois escalões: o primeiro, formado pelo 6º RI de Caçapava –SP, que embarcou em julho de 1944; e o segundo, composto pelo 1º RI do Rio de Janeiro e pelo 11º RI de São João Del Rey – MG, embarcou em setembro do mesmo ano.
EBlog: Após entrar em ação, qual foi o maior obstáculo enfrentado pelos soldados brasileiros?
TC Nestor: O clima (20 graus negativos), a alimentação diferente, por exemplo. A temperatura abaixo de zero ocasionava o congelamento dos pés, dando origem ao que se chamava o “Pé de Trincheira’’, que obrigava o militar a baixar ao hospital e, nos casos mais graves, ter de amputar o pé. Essa doença atingia inclusive os americanos. Contudo, o espírito de improvisação do brasileiro o fez colocar jornal velho e capim seco dentro do calçado, que com o tempo fermentavam produzindo calor e o “Pé de Trincheira” desapareceu. O americano estranhou e procurou saber por que o brasileiro não baixava mais ao hospital, e passou, também, a usar o truque.
EBlog: Qual a sua impressão sobre a tropa alemã que a FEB enfrentou no Vale do Rio Pó?
TC Nestor: A tropa alemã dominava o setor de Bolonha. Suas organizações ali eram mais densas e importantes. Além dessa nova posição, os alemães procuraram melhorar a linha PÓ-TECINO. No Vale do PÓ, várias cidades foram preparadas para oferecer resistência ao invasor, retardando-lhe os movimentos. A FEB se encontrava frente às Divisões Alemãs que ocupavam as melhores posições. Apesar da grande potencialidade militar alemã, seu moral para a luta já era baixo, o que facilitou à FEB a conquista do Vale do Rio Pó. Aí se deu a rendição da 148ª Divisão Alemã. Esse foi um grande triunfo para a FEB na Itália.
EBlog: Qual o episódio da Guerra que mais ficou marcado em sua memória?
TC Nestor: Aos 15 dias de abril de 1945, deu-se o ataque a Montese, considerada a maior batalha da FEB na Itália. À noite daquela data memorável, fui informado pelo meu Comandante de Batalhão, por telefone, ele na frente do Gen Mascarenhas de Moraes – Cmt da FEB, que eu acabava de ser promovido, por bravura, de 2º Sargento a 2º Tenente. Esse foi o maior episódio da guerra que ainda está marcado em minha memória. O Cmt do batalhão disse ainda: Nestor, procure honrar essas estrelas como você honrou suas divisas.
EBlog: Houve algum momento, em combate, que o senhor sentiu medo?
TC Nestor: Sim. Todavia, o medo atua mais intenso antes de iniciar o combate. Desencadeado esse, o medo é substituído pela ânsia de destruição do inimigo e não se pensa mais no medo. Foi assim que prendi 16 alemães e coloquei-os dentro de uma cratera de bomba de avião, com ordem de destruí-los, caso quisessem galgar as paredes da cratera. O medo na guerra é sempre substituído pela bravura do combatente.
EBlog: O Sr. era Sargento durante a 2ª GM? Ao retornar como foi sua carreira militar? E suas promoções?
TC Nestor: Eu fui 2º Sgt desde o início da ação da FEB na guerra até a batalha de Montese, a maior que a FEB enfrentou na Itália. Nessa batalha eu fui promovido de 2º Sgt ao posto de 2º Tenente como já foi anteriormente esclarecido. Chegando de volta ao Brasil, no 2º semestre de 1945, fui matriculado, a seguir, na Escola Militar de Resende, em fevereiro de 1946. Terminei o Curso de Formação de Oficial, em maio de 1949. Daí para frente, fui sendo promovido normalmente até o posto de Tenente-Coronel, quando solicitei transferência para a Reserva com equivalência a dois postos acima de Tenente-Coronel. Fiz Faculdade de Administração de Empresa e a seguir comecei a trabalhar na vida civil.
EBlog: Até hoje, os italianos que moram nos locais por onde a FEB passou, referem-se com carinho ao militar brasileiro. Como o Sr explica essa relação tão positiva com a população local?
TC Nestor: Os italianos se assemelham muito aos brasileiros, inclusive na língua falada. A FEB, quando marchava pelas cidades italianas, agradava a todas as pessoas, oferecendo café, cigarros e alimentos. Assim, criou-se uma amizade entre italianos e brasileiros, que durou não só durante a guerra como depois que ela terminou e os brasileiros já se preparavam para o retorno ao Brasil. Daí surgiu essa grande admiração existente até os dias de hoje entre esses dois povos. Houve até casamentos entre italianas e soldados do Brasil, o que confirma mais ainda a forte amizade que dura até hoje.
EBlog: O Sr pode nos contar o que significa esse distintivo da Cobra Fumando?
TC Nestor: Como já foi esclarecido na resposta à primeira pergunta, por causa das grandes dificuldades de mobilização, organização e treinamentos da Divisão de Infantaria Expedicionária (DIE), surgiram insinuações maldosas de que era mais fácil uma cobra fumar do que a FEB embarcar para a guerra na Itália. Daí surgiu o nosso querido e respeitado distintivo ‘’A cobra fumando’’ encimado pela palavra BRASIL. Por fim, a FEB embarcou para a guerra na Itália, lutou e venceu um inimigo valente. Estamos certos de que a ‘’Cobra Fumou’’ e fumará sempre que o Brasil precisar.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Uma Jornada de Encontros

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Cacá Diegues, cineasta

Tenho acompanhado a Jornada Mundial da Juventude ao longo desta semana e, pelo menos até o momento em que escrevo este texto, o faço com surpresa e admiração. Apesar das vicissitudes de transporte e circulação, há muito tempo não via as ruas da cidade tão alegremente movimentadas e coloridas. Mesmo por onde o Papa não é esperado passar, bandos de moças e rapazes carregam bandeiras de seus países e cantam hinos em diversas línguas, num carnaval de rua cosmopolita, sereno e empolgante. Confesso que até me emocionei ao ver casualmente, no calçadão da Avenida Atlântica, um inesperado encontro de confraternização entre um grupo de jovens iranianos com a bandeira de seu país e outro de americanos com a dos Estados Unidos.
 Não é preciso ser católico, nem ter qualquer religião, para se encantar com o que está se passando no Rio de Janeiro. Estamos assistindo a uma experiência daquilo que o rabino Abraham Skorka, coautor de livro em parceria com o Papa Francisco, "Entre o céu e a terra", chamou de "cultura do encontro". Um encontro não é uma adesão ao outro, nem mesmo a abertura de um diálogo em busca de alguma verdade única e absoluta. Um encontro é apenas isso mesmo, a aproximação entre pessoas, mesmo que elas não tenham as mesmas idéias, nem estejam dispostas a pensar sobre o que pensam.
 Um dos aspectos mais relevantes da Jornada tem sido o dos diversos eventos inter-religiosos, uma busca sem tensão por alguma coisa em comum entre crenças tão diversas. A busca do abraço universal, do humano em cada fé. Assisti a reuniões de peregrinos católicos de vários países com praticantes da umbanda e do candomblé cariocas, no Estácio e em Caxias. E a uma mesa de debates na PUC, na Gávea, da qual participavam bispos, rabinos e xeques, com uma platéia lotada de jovens católicos, judeus e muçulmanos. Nesses encontros, o que se punha em discussão não era a verdade teológica de cada um, mas a necessidade de paz, de entendimento e de amor num mundo tão conturbado, inclusive por guerras religiosas.
Nunca acompanhei as Jornadas anteriores, nem sei mesmo do que cada uma delas tratou no passado, em Roma, Colônia ou Madri. Mas imagino que as novidades comportamentais trazidas pelo novo Papa tenham influenciado a atmosfera do que está acontecendo no Rio. Num livrinho de extrema pertinência sobre suas ideias, "Fancisco de Assis e Francisco de Roma", Leonardo Boff, um dos principais pensadores da Teologia da Libertação, faz a pergunta que todos nós gostaríamos de poder responder afirmativamente: "Uma nova primavera na igreja?" No seu discurso em Aparecida, o Papa pode ter-nos respondido a pergunta, quando pediu aos jovens que se deixassem surpreender pela vida e que a vivessem em alegria. E ainda mais em sua fala militante na favela de Manguinhos, quando exortou a juventude a não perder a sensibilidade para as injustiças e para a corrupção. É como se tivéssemos atraído para cá e tornado universal a discussão do tema que hoje nos é mais caro.
A Igreja Católica, a primeira e mais antiga organização globalizada do planeta, precisa responder às ânsias de seu povo no século 21. Ela segue prisioneira de conceitos anacrônicos sobre política social, drogas, moral sexual, aborto, homossexualidade, celibato, pesquisas com células-tronco e até "a forma de poder absolutista dos papas", como diz Boff. Mas Francisco está certo quando diz que tudo começa com o encontro. E ele sabe promover esse encontro: que homem público brasileiro sairia ileso daquele engarrafamento que o Papa enfrentou em sua chegada ao Rio, com a janela do pequeno carro aberta e a disposição de cumprimentar a multidão que se aproximava dele?
 É ridículo e mesquinho reclamar de gastos públicos com a Jornada e a vinda do Papa ao Brasil. Em primeiro lugar, porque o estado não está só cumprindo obrigação protocolar, mas também fazendo um investimento com retorno certo, produzido pelo que deixa no Rio a multidão vinda do exterior e de outras cidades do país. Além disso, o estado tem mesmo o dever de investir no ordenamento, segurança e atendimento médico das manifestações de massa realizadas na cidade, não importa de que natureza. Assim como nem todo brasileiro é católico, nem todo carioca é carnavalesco, e nem assim é justo contestar o que o estado gasta com o carnaval. Mas para alguns, Rei Momo pode; o Papa Chico, nem pensar.
Independentemente de qualquer profissão de fé, Francisco nos anuncia o projeto de um mundo mais simples e mais humano. Um mundo sem ostentação e sem pompa, sem a hegemonia irracional da riqueza e do consumismo delirante que destrói o planeta e a humanidade. Seu amor à esperança é comovente. "Não deixem que lhes roubem a esperança", disse ele no Rio, aos participantes da Jornada Mundial da Juventude, "sejam vocês mesmos os portadores da esperança." Não é pouco que um líder mundial de sua importância pense e fale desse jeito.
 Cacá Diegues (Cineasta).

DORA KRAMER

Surdez crônica

DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo
O Congresso retoma os trabalhos em tese nesta segunda-feira; na prática, só na terça. Volta cheio de gás - embora continue surdo, como veremos adiante - com uma "pauta bomba", segundo o presidente do Senado, Renan Calheiros.
A ideia é, de um lado, votar projetos que supostamente respondem às reivindicações populares e, de outro, confrontem a Presidência da República a fim de deixar claro quem detém o mando de campo nesses tempos bicudos.
O Congresso saiu em férias sem autorização legal porque não votou a Lei de Diretrizes Orçamentárias, cuja aprovação é, pela Constituição, indispensável para o início do recesso do mês de julho.
Mas isso não foi obstáculo para suas excelências, que logo decretaram o tal do "recesso branco": ficou decidido que não seriam feitas sessões deliberativas (quando há votações) no período e, assim, todos poderiam descansar sem correr o risco de ter os dias descontados no pagamento do mês.
O retorno estava marcado para o dia 1.º de agosto. Mas, sabem as senhoras e os senhores como é: quinta-feira não faz parte da semana para a maioria dos integrantes do Poder Legislativo.
Dos 513 deputados, 37 se apresentaram ao trabalho no dia marcado; nem 10%. No Senado a presença foi maior: 33 dos 81 senadores; menos da metade. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, no exterior estava com a família e no exterior ficou. Justificativa: trabalhou demais na semana da visita do papa Francisco e precisava de uns dias a mais para compensar.
Compreende-se a posição do Parlamento. Depois de duas semanas de correria intensa em torno da "agenda positiva" que criou despesas a serem pagas todos sabemos por quem e até transformou táxis em capitanias hereditárias, era hora de voltar ao normal. E o exercício da gazeta nas quintas, sextas e segundas é de praxe.
Como de hábito também naquele ambiente é se falar em reforma política e se acabar sempre fazendo modificações nas leis eleitorais - que, aliás, mudam a cada pleito - para facilitar a vida dos políticos e dos partidos. O eleitor fica fora do trato, sua parte é ir à urna obrigatoriamente se não quiser ter problemas.
Relata a Folha de S.Paulo em sua edição de quinta-feira que, nesta semana, os deputados começam a discutir uma série de alterações na legislação eleitoral.
Todas tão distantes do descontentamento geral que, no dizer de editorial do Estado, mais parecem um chamamento de volta aos protestos com destaque para cartazes de aviso aos representantes parlamentares: "Eles não me representam".
As propostas, de fato, soam provocativas. A título de tornar o processo eleitoral "menos burocrático", na palavra do coordenador dos trabalhos, o petista Cândido Vaccarezza, a comissão formada para discutir a reforma política erigiu um monumento à permissividade.
Pelo projeto dito de desburocratização, os candidatos não serão mais responsáveis por crimes eleitorais cometidos durante as respectivas campanhas; a Justiça Eleitoral não pode mais checar as informações financeiras dadas pelos partidos, devendo se limitar a receber as prestações de contas e verificar se os aspectos "formais" estão de acordo.
Os gastos considerados "não passíveis de comprovação" não precisarão ser acompanhados de qualquer tipo de documento, bastando que sejam publicados na internet; pretendentes a cargos executivos, de presidente a prefeito, estão dispensados de registrar seus programas de governo na Justiça.
O valor das multas cobradas de quem faz doações acima do limite legal (2% do faturamento para empresas e 10% dos rendimentos para pessoas físicas) é reduzido em 10 vezes. E por aí vai o Congresso em sua indiferença ao tirocínio alheio.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Discurso do Papa Francisco para os dirigentes....

Index

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ENCONTRO COM A CLASSE DIRIGENTE DO BRASIL
DISCURSO DO SANTO PADRE
Teatro Municipal, Rio de Janeiro
Sábado, 27 de Julho de 2013
Excelências,
Senhoras e Senhores, bom dia!
Agradeço a Deus pela possibilidade de me encontrar com tão respeitável representação dos responsáveis políticos e diplomáticos, culturais e religiosos, acadêmicos e empresariais deste Brasil imenso.
Queria lhes falar usando a bela língua portuguesa de vocês mas, para poder me expressar melhor manifestando o que trago no coração, prefiro falar em castelhano. Peço-lhes a cortesia de me perdoar!
Saúdo cordialmente a todos e lhes expresso o meu reconhecimento. Agradeço a Dom Orani e ao senhor Walmyr Júnior as amáveis palavras de boas vindas, de apresentação e testemunho. Nas senhoras e nos senhores, vejo a memória e a esperança: a memória do caminho e da consciência da sua Pátria e a esperança que esta Pátria, sempre aberta à luz que irradia do Evangelho, possa continuar a desenvolver-se no pleno respeito dos princípios éticos fundados na dignidade transcendente da pessoa.
Memória do passado e utopia na perspectiva do futuro se encontram no presente, que não é uma conjuntura sem história e sem promessa, mas um momento no tempo, um desafio a recolher sabedoria e sabê-la projetar. Todos aqueles que possuem um papel de responsabilidade, em uma Nação, são chamados a enfrentar o futuro "com os olhos calmos de quem sabe ver a verdade", como dizia o pensador brasileiro Alceu Amoroso Lima [“Nosso tempo”,in: A vida sobrenatural e o mundo moderno (Rio de Janeiro 1956), 106]. Queria compartilhar com os senhores e senhoras três aspectos deste olhar calmo, sereno e sábio: primeiro, a originalidade de uma tradição cultural; segundo, a responsabilidade solidária para construir o futuro; e terceiro, o diálogo construtivo para encarar o presente.
1. Antes de mais nada, é justo valorizar a originalidade dinâmica que caracteriza a cultura brasileira, com a sua extraordinária capacidade para integrar elementos diversos. O sentir comum de um povo, as bases do seu pensamento e da sua criatividade, os princípios fundamentais da sua vida, os critérios de juízo sobre as prioridades, sobre as normas de ação, assentam, fundem-se e crescem numa visão integral da pessoa humana.
Esta visão do homem e da vida, tal como a fez própria o povo brasileiro, recebeu também a seiva do Evangelho, a fé em Jesus Cristo, no amor de Deus e a fraternidade com o próximo. A riqueza desta seiva pode fecundar um processo cultural fiel à identidade brasileira e, ao mesmo tempo, um processo construtor de um futuro melhor para todos. Um processo que faz crescer a humanização integral e a cultura do encontro e do relacionamento; este é o modo cristão de promover o bem comum, a alegria de viver. E aqui convergem a fé e a razão, a dimensão religiosa com os diversos aspectos da cultura humana: arte, ciência, trabalho, literatura... O cristianismo une transcendência e encarnação; tem a capacidade de revitalizar sempre o pensamento e a vida, frente à ameaça da frustração e do desencanto que podem invadir os corações e saltam para a rua.
2. O segundo elemento que queria tocar é a responsabilidade social. Esta exige um certo tipo de paradigma cultural e, consequentemente, de política. Somos responsáveis pela formação de novas gerações, por ajudá-las a ser hábeis na economia e na política, e firmes nos valores éticos. O futuro exige hoje o trabalho de reabilitar a política; reabilitar a política, que é uma das formas mais altas da caridade. O futuro exige também uma visão humanista da economia e uma política que realize cada vez mais e melhor a participação das pessoas, evitando elitismos e erradicando a pobreza. Que ninguém fique privado do necessário, e que a todos sejam asseguradas dignidade, fraternidade e solidariedade: esta é a estrada proposta. Já no tempo do profeta Amós era muito frequente a advertência de Deus: «Eles vendem o justo por dinheiro, o indigente, por um par de sandálias; esmagam a cabeça dos fracos no pó da terra e tornam a vida dos oprimidos impossível» (Am 2, 6-7). Os gritos por justiça continuam ainda hoje.
Quem detém uma função de guia – permitam-me dizer –quem a vida ungiu como guia deve ter objetivos concretos e buscar os meios específicos para alcançá-los, mas também pode haver o perigo da desilusão, da amargura, da indiferença, quando as aspirações não se realizam. Aqui faço apelo à dinâmica da esperança, que nos impele a ir sempre mais longe, a empregar todas as energias e capacidades a favor das pessoas para quem se trabalha, aceitando os resultados e criando condições para descobrir novos caminhos, dando-se mesmo sem ver resultados, mas mantendo viva a esperança, com aquela constância e coragem que nascem da aceitação da própria vocação de guia e de dirigente.
É próprio da liderança escolher a mais justa entre as opções, após tê-las considerado, partindo da própria responsabilidade e do interesse pelo bem comum; por esta estrada, chega-se ao centro dos males da sociedade, para vencê-los com a ousadia de ações corajosas e livres. É nossa responsabilidade, embora sempre limitada, esta compreensão global da realidade, observando, medindo, avaliando, para tomar decisões na hora presente, mas estendendo o olhar para o futuro, refletindo sobre as consequências de tais decisões. Quem atua responsavelmente, submete a própria ação aos direitos dos outros e ao juízo de Deus. Este sentido ético aparece, nos nossos dias, como um desafio histórico sem precedentes; devemos procurá-lo, devemos inseri-lo na própria sociedade. Além da racionalidade científica e técnica, na atual situação, impõe-se o vínculo moral com uma responsabilidade social e profundamente solidária.
3. Para completar esta reflexão, além do humanismo integral, que respeite a cultura original, e da responsabilidade solidária, considero fundamental para enfrentar o presente: o diálogo construtivo. Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo. O diálogo entre as gerações, o diálogo no povo, porque todos somos povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade. Um país cresce, quando dialogam de modo construtivo as suas diversas riquezas culturais: a cultura popular, a cultura universitária, a cultura juvenil, a cultura artística e a cultura tecnológica, a cultura econômica e a cultura da família, e a cultura da mídia.Quando dialogam… É impossível imaginar um futuro para a sociedade, sem uma vigorosa contribuição das energias morais numa democracia que permaneça fechada na pura lógica ou no mero equilíbrio de representação de interesses constituídos. Considero também fundamental neste diálogo a contribuição das grandes tradições religiosas, que desempenham um papel fecundo de fermento da vida social e de animação da democracia. Favorável à pacífica convivência entre religiões diversas é a laicidade do Estado que, sem assumir como própria qualquer posição confessional, respeita e valoriza a presença da dimensão religiosa na sociedade, favorecendo as suas expressões mais concretas.
Quando os líderes dos diferentes setores me pedem um conselho, a minha resposta é sempre é a mesma: diálogo, diálogo, diálogo. A única maneira para uma pessoa, uma família, uma sociedade crescer, a única maneira para fazer avançar a vida dos povos é a cultura do encontro; uma cultura segundo a qual todos têm algo de bom para dar, e todos podem receber em troca algo de bom. O outro tem sempre algo para nos dar, desde que saibamos nos aproximar dele com uma atitude aberta e disponível, sem preconceitos. Esta atitude aberta, disponível e sem preconceitos, eu a definiria como «humildade social» que é o que favorece o diálogo.  Só assim pode crescer o bom entendimento entre as culturas e as religiões, a estima de umas pelas outras livre de suposições gratuitas e num clima de respeito pelos direitos de cada uma. Hoje, ou se aposta no diálogo, na cultura do encontro, ou todos perdemos.Todos perdemos… Passa por aqui o caminho fecundo.
Excelências,
Senhoras e Senhores!
Agradeço-lhes pela atenção. Acolham estas palavras como expressão da minha solicitude de Pastor de Igreja e do respeito e afeto que nutro pelo povo brasileiro. A fraternidade entre os homens e a colaboração para construir uma sociedade mais justa não são um sonho fantasioso, mas o resultado de um esforço harmônico de todos em favor do bem comum. Encorajo os senhores neste seu empenho em favor do bem comum, que exige da parte de todos sabedoria, prudência e generosidade. Confio-lhes ao Pai do Céu, pedindo-lhe, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, que cumule de seus dons a cada um dos presentes, suas respectivas famílias e comunidades humanas e de trabalho e, de coração, peço a Deus que lhes abençoe. Muito obrigado!


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sábado, 20 de julho de 2013

Escolhendo



* Sérgio Paulo Muniz Costa

O que está havendo com o Brasil, o país do futebol com mais católicos do mundo, que viveu confrontos nas imediações dos estádios em que sua seleção brilhava e agora se inquieta às vésperas da visita do Papa Francisco? Como é possível que tradicionais motivos de alegria e devoção da população brasileira tenham se transformado em oportunidades de frustração e constrangimento? Em pouco mais de um mês, a imagem do País foi alterada e hoje nos sentimos todos atingidos por algo que não compreendemos mas que nos acontece. A única certeza nesses dias de tumulto é que os nossos destinos vão depender do que decidirmos fazer com o que nos acontece, e o pior que podemos fazer é não termos a mesma audácia daqueles que estão agindo. No nosso caso, da esmagadora maioria da população, a audácia para pensar.
A semana foi pródiga em acontecimentos. Abriu-­‐se com as declarações de uma agência do governo que indicavam os protestos como a maior ameaça à visita do Papa, quase simultânea à manifestação do super-­ministro de que “o povo faria a segurança do Papa” e à reunião de ministros de estado com representantes do Vaticano para pressionarem por mudanças na programação oficial. Isto é o governo federal atuando como caixa de ressonância de um não se sabe o quê. Ao mesmo tempo, o ex-­presidente que em passado não distante esteve com blogueiros simpáticos ao PT, ressurgiu sorridente e saudável, cercado de jovens, fazendo em termos chulos e demagógicos a apologia dos protestos. Isto todo mundo sabe para quê, diante do que se dilui outra dúvida excruciante: a criatura está cumprindo o papel que lhe foi atribuído, desde o início.
Se a violência que tomou as ruas do Leblon na noite da 4a feira, dia 18 de julho, foi desconcertante, a coletiva de imprensa da cúpula de segurança pública do Rio de Janeiro no dia seguinte foi patética. Repetiu-­se ali a fraqueza das autoridades para enfrentarem no campo das ideias a vontade perversa que está transformando as ruas em campo de batalha. Bovinamente vamos aceitando a neutralização das forças de segurança pública mediante o constrangimento midiático praticado por uma facção da imprensa despudoradamente simpática ao caos e por intermédio da pressão de entidades nacionais e estrangeiras que sem terem qualquer responsabilidade pela Lei e pela Ordem pretendem impor limitações absurdas à sua imposição. E assim se encerra de forma melancólica esta semana surpreendente, com a disseminação não contestada da notícia de que as autoridades não sabem como lidar com os protestos durante a visita do Papa.
A maioridade politica da sociedade brasileira não a protege dos riscos e dos assaltos às suas instituições, aliás a nenhuma sociedade. A presente conturbação do quadro político nacional está inserida na moldura sucessória que se completa em 2014 e isso está patente nos conflitos dentro do condomínio do poder e entre os poderes da República, cuja origem é a vontade do exercício absoluto do poder pelo PT. Há parlamentares, autoridades e lideranças que resistem, na forma da Lei e dentro de suas atribuições, ao projeto de poder que ameaça a democracia brasileira, mas as suas atitudes e ações minguarão na medida em que continuarmos refugiados na cômoda visão dos protestos como iniciativas espontâneas e legítimas de uma população insatisfeita, ou pior, como já circula, extasiados na miragem sebastianista de que seremos “salvos” por uma intervenção não se sabe de quem, da qual desembarcam manifesta e preventivamente os militares, fartos de serem acusados de golpistas de oportunidade justamente pelos eternos golpistas da História.
Na verdade, a nossa maioridade política se confirma pela resistência ao pensamento que pretende pensar por nós, a começar pelo da parcela da intelligentsia brasileira sempre tão diligente e “científica” para atacar as crenças religiosas de tantos, mas sempre tão incapaz de se despir do próprio criacionismo com que insiste em impor fatos estranhos à sociedade para recriá-­la a seu molde. E não se diga que aqui se recorre ao reducionismo moralista da luta entre o bem e o mal. É mais simples: trata-­se da escolha entre o bom e o ruim e é mais do que tempo de sabermos distinguir um do outro.

* Historiador