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Fernando Gabeira*
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...Um
estado que convive alegremente com a corrupção na saúde, enquanto os
responsáveis pelo setor festejam em Paris, chegou a um ponto de degradação
interna que só um grande movimento popular pode
superar...
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Artigo publicado
originalmente no Blog do Gabeira, www.gabeira.com.br, em post de 29 de
abril de 2012
Na sexta feira,
publiquei um artigo no Estadão (*), O Fator Delta, afirmando que existia uma
conspiração de muitos poderes em torno de Sérgio Cabral no
Rio.
Cabral levou seis anos descobrindo o mundo e jamais tinha visto uma reportagem, com texto e fotos, sobre suas luxuosas aventuras internacionais. Na quinta feira à noite, participei de um debate com Alan Riding, correspondente cultural do New York Times na França, para o lançamento do seu livro "Paris, a Festa continuou". Foi na livraria Travessa do Leblon. O livro tem no titulo uma clara alusão ao célebre Paris é Uma Festa, de Ernest Hemingway. Mas fala de como os franceses e parisienses continuaram se divertindo, mesmo durante a ocupação militar alemã. As duas atividades se entrelaçaram com a revelação, pelo Blog do Garotinho, de alguns vídeos mostrando a intimidade do dono da Delta, Fernando Cavendish, com Cabral, no suntuoso restaurante do hotel Ritz, que, por sinal, também foi usado pelo estado maior alemão. Como sabem, o TRE tirou meu programa partidário (**) do ar, em 2010, e determinou multa por ter falado da amizade Cavendish-Cabral. Não preciso falar muito. Nem fazer legenda para a foto dessas mulheres exibindo em Paris os sapatos Christian Louboutin, que custam até R$ 10 mil reais. Elas o exibem como os caçadores exibem a cabeça de um leão, um troféu valioso que vale ser mostrado. Não costumo fazer legenda para fotos eloqüentes. Lembro apenas que alem de mulher do governador, Sra. Adriana Ancelmo, está nessa foto a mulher do Secretario de Saúde Sérgio Cortes. Ele, aparece também, numa outra foto, com uma toalha na cabeça dançando ao lado de Cavendish. Toda minha campanha foi feita para denunciar os laços de Cabral com as empreiteiras. Fiz até programas na obra estagnada do Arco Metropolitano.
Mas o centro mesmo
era a corrupção na saúde, com Toesas e Locantys, botando para quebrar. Sérgio
Cortes foi protegido pela Globo que interrompeu uma série de reportagens sobre
corrupção na saúde para não influenciar as eleições e enfraquecer
Cabral.
Corrupção na saúde mata. A mesma Globo fez uma excelente reportagem mostrando como funcionam as licitações nos hospitais públicos. Mas as investigações não avançaram. As empresas deram a impressão de que tudo era culpa de seus funcionários açodados que queriam fechar negócio de qualquer maneira. E o governo fingiu que não era com ele. Os fatos durante a campanha e agora em 2012 revelam que a corrupção na saúde continuou. Sérgio Cortes com a toalha na cabeça e sua mulher exibindo sapatos caros em Paris me indignam porque ele comanda a saúde no Rio.
Um estado que convive
alegremente com a corrupção na saúde, enquanto os responsáveis pelo setor
festejam em Paris, chegou a um ponto de degradação interna que só um grande
movimento popular pode superar.
A assembleia está com eles, a grande imprensa está com eles, o judiciário está com eles. As eleições mostraram que a maioria da população também está. Será que ela continuará com eles, mesmo sabendo de tudo? Nesse caso, um dos caminhos é o exílio na própria cidade. Ou prosseguir, pacientemente, na denúncia na esperança de que um dia a levem em conta. *
Artigo do Estadão,
citado: http://www.gabeira.com.br/wordpress/2012/04/o-fator-delta/
**
Programa partidário
citado: http://www.youtube.com/watch?v=Omkotb-XoEE&feature=youtu.be
Fernando Gabeira*- é escritor, jornalista e ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro. Articulista para, entre outros veículos, O Estado de S. Paulo, e Rádio e TV Bandeirantes. Seu blog é no http://www.gabeira.com.br |
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Paris é uma festa....
terça-feira, 1 de maio de 2012
Cotas Raciais.
Um índio, com seu imenso cocar de penas brancas, pretas e
encimado por um penacho azul, vestindo uma camisa do Clube de Regatas
Vasco da Gama, com a cruz de malta no peito, surgiu no meio do plenário
do Supremo Tribunal Federal gritando que queria cotas para índios,
mestiços, ciganos, caboclos e brancos pobres e foi retirado à força por
um segurança “mulato”, de hoje em diante legalmente definido como negro.
Não foi preciso muito tempo para sentirmos os efeitos da decisão dos
juízes do STF na tarde do dia 26 de abril em julgamento histórico no
qual se proclamou a constitucionalidade do sistema de cotas raciais no
Brasil.
Nunca havia assistido a um julgamento na nossa Corte Suprema e fui
com a intenção de ver, ao vivo, o processo e as formas ritualizadas de
decidir sobre uma questão de princípio como esta que seria discutida. O
que vi e ouvi foi um desfilar de argumentos a favor da “raça”.
O ministro relator, Ricardo Lewandowski, leu o seu voto que durou
mais de uma hora para afirmar peremptoriamente a preponderância da
“raça” nas leis como forma de extirpar o racismo. Depois de desfiar
muitos nomes de Aristóteles, passando por John Rawls, ao sociólogo
português Boaventura de Sousa Santos, afirmou que o critério
étnicoracial era perfeitamente constitucional. O ministro do STF elencou
argumentos que se repetem como mantra nos movimentos sociais. O relator
confessou até que tinha estado na Índia, o primeiro país a implantar
cotas para a proteção dos intocáveis que já duram mais de quarenta anos.
Ricardo Lewandowski é professor titular da USP e ficou impressionado
com o sistema indiano. Só não contou ao público que nesses quarenta anos
não cessaram os conflitos étnicos que, ao contrário, foram exacerbados.
Não disse também que lá as cotas acabaram sendo inseridas na
Constituição e parece não ter lido muito sobre este processo naquele
país.
O ministro relator não foi além de uma visita à Índia e não viu mais
do que a superfície da questão e em nome do princípio de realidade, a
tal igualdade material por ele acionada, jogou no lixo a realidade dos
princípios. Em seu voto, nem de longe mencionou o ponto crucial
levantado por muitos contra esta política e que foi expresso pelos
juízes da Suprema Corte dos EUA em várias ocasiões, a começar em 1978.
Legislar em nome da “raça” e colocá-la na letra da lei com a finalidade
de extirpar o racismo tem o efeito de eternizar a separação entre os
cidadãos, afirmaram os juízes da Suprema Corte americana. No
entendimento do ministro relator, a Suprema Corte americana considerou
legal e constitucional a utilização do critério étnico-racial para
alocar estudantes nas universidades. Finalmente, ao declarar seu voto
lançou a pérola que ficará para a história como a sentença que nos levou
a instituir um estado racializado: “… os programas de ação afirmativa
tomam como ponto de partida a consciência de raça existente nas
sociedades com o escopo final de eliminá-la. Em outras palavras, a
finalidade última desses programas é colocar um fim àquilo que foi seu
termo inicial, ou seja, o sentimento subjetivo de pertencer a
determinada raça ou de sofrer discriminação por integrá-la.” O relator
considerou constitucional inclusive o tribunal racial, aquele que
escandalizou o Brasil ao afirmar que gêmeos univitelinos eram de cores
ou “raças” distintas.
Todos os ministros da nossa Corte maior seguiram o voto do relator.
A
separação legal dos cidadãos é um caminho sem volta. O sentimento de
pertença a uma “raça” – que aliás é frágil ou nulo no Brasil – se
infiltra de tal maneira na vida social que passa a ser uma nova
aspiração, como se viu na cena inaugural do índio de cocar exigindo
cotas para outras minorias. Separar por força de lei é uma guinada
fortíssima na nossa história e não me digam que não havia vozes
discordantes com argumentos importantes, que nem sequer foram
considerados, por serem de antemão definidos como hipócritas,
reacionários, racistas e produzidos por “marginais”.
A decisão do STF no julgamento do dia 26 de abril de 2012 fará esta
Corte entrar para a história como aquela que advogou pelo Estado Racial
no País. Votando pela constitucionalidade do critério étnicoracial para a
distribuição de direitos, os ministros inscreveram o nosso país no rol
dos que separam legalmente os cidadãos em “raças” distintas rasgando a
Constituição brasileira e a Carta da ONU. Esta onda era esperada e se
estenderá por longos anos. O primeiro país, fora da África, a criticar
oficialmente o apartheid da África do Sul em histórico pronunciamento do
presidente Juscelino Kubitschek na década de 1950, acaba de se tornar
um Estado de leis raciais.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Opinião sobre o momento atual dos militares (salvo melhor juizo)....
Meu querido Primeiro Chefe:
Estou
muito preocupado com o rumo que as coisas estão tomando no Exército.
Tenho o mais profundo respeito pelas opiniões de todos. Absolutamente
todos!!! Mas preciso expressar a minha, acompanhada de um humilde "salvo
melhor juízo".
Alguns companheiros, imbuídos das melhores intenções e com a alma militar sangrando (como a minha), vem sendo implacáveis nas condenações às atitudes de nossos Chefes, em particular o General Enzo, encontrando em tudo o que ele faz, ou deixa de fazer, um motivo para criticar acerbamente seu comportamento.
Esse é um erro que não se justifica em combatentes que somos. O inimigo é outro. Não é o Comandante da Força. Por razões absolutamente fora de nosso alcance, a Nação aproou para a esquerda. O povo, em sua maior parte ignorante, imediatista e à venda por baixo preço, escolheu esse regime que aí está, que não é aquele que desejaríamos. Não há como negar isso e nem como mudar esse quadro antes de outra eleição, a menos que haja um golpe de estado e uma ruptura constitucional, o que também não desejamos, como já exprimiu o ilustre General Valdésio.
Assim, para usar uma figura que qualquer guerreiro entenderia, as pessoas em cargos de decisão que pensem como nós, incluindo aí nosso Comandante, são como combatentes operando em território inimigo. De nada adianta para eles se arvorarem em machões e abrirem fogo abertamente contra qualquer alvo que seja. Seriam abatidos na hora. Se o Comandante bater de frente com o establishment será destituído imediatamente, "sans autre forme de procès". Isso é evidente. E entraria um outro, que viveria os mesmos dilemas, e la nave va.
Exaltar a eficiência do Exército na luta contra o comunismo, como anfitrião, em um discurso na presença do Comandante Supremo, que é comunista, me parece uma falta imperdoável de tato, uma agressão descabida e um suicídio inútil, smj.
O guerreiro perdido em território inimigo precisa agir com toda precaução. Obter pequenos progressos paulatinamente. Conquistar pouco a pouco habitantes locais que lhe deem abrigo e comida. E ir se aproximando de seu objetivo, sempre homeopaticamente e com extremo cuidado. Qualquer descuido é fatal. Essa é uma situação extremamente perigosa, desgastante e estressante.
Não gostaria jamais de estar na situação do General Enzo. Tenho a mais absoluta certeza de que ele luta pelo Exército dentro das limitações impostas pela situação tática e estratégica. Se submete a constrangimentos que não precisaria mais sofrer e suporta pressões angustiantes das quais estaria livre na tranquilidade da Reserva e, supremo sacrifício, recebe ordens de Celso Amorim e tem que tolerar a presença de José Genuíno, tudo para cumprir a missão sagrada de servir à Força e evitar, na medida de suas possibilidades, que mal maior possa vir a acontecer.
Cada um pode bem imaginar a seu modo, mas ninguém sabe exatamente o que se passa nos corredores palacianos, e condenar o Chefe sem esse conhecimento é, no mínimo, uma flagrante injustiça, à qual jamais me associarei.
O momento é de cerrar fileiras em torno de nossos Chefes e de nos unirmos na reserva, fazendo nossa parte. Que essa parte não se limite a trocar entre nós e-mails candentes e enfurecidos, mas sim que procuremos encontrar maneiras de levar nossa voz além de nossas fronteiras. Aproveitar oportunidades para discutir nossas posições com formadores de opinião externos ao nosso meio, como fizeram os Generais Heleno, Rocha Paiva e Felício. Chamá-los para a discussão em campo aberto. Conquistar corações e mentes no meio civil, em particular entre a juventude, obtendo assim uma base de apoio cada vez mais sólida para nossas manobras.
Nunca me esquecerei do CICAO, no frontispício do prédio principal de nosso ninho. O fato de que não vamos mais comandar, não nos desonera do dever de obedecer. Os tempos de guerra em que o inimigo está vencendo são duros, e impõem sofrimentos e desalento. Mas temos que buscar dentro de nós a endurance moral para suportar a pressão sem dissenções, unidos na defesa de nossos ideais, cada um confiando em que o outro está dando o melhor de si no combate que representa o derradeiro esforço na defesa da liberdade em nosso país. Todas as demais instituições já estão "dominadas" pelo inimigo. Não podemos nos dar ao luxo de perder eficácia praticando o tiro amigo.
Divulgue minhas ideias da maneira que achar conveniente e se achar conveniente. Para seus destinatários, permita que acrescente mais um parágrafo:
Meus caríssimos irmãos de armas. Que não turbe vossas consciências o fato de que essas palavras venham de alguém tão pouco qualificado para escrevê-las. Elas não constituem reproche nem crítica, mas apenas considerações sinceras oriundas de um jovem mas cauteloso guerreiro com 71 anos de idade. Respeitosamente apresento armas para todos que se engajam nessa luta, qualquer que tenha sido até agora sua maneira de fazê-lo. Convoco os até então indiferentes para a luta. E vamos reagrupar o dispositivo, sob as vistas e fogos do inimigo, mas unidos e coesos em torno do Chefe, que há de nos mostrar o caminho do dever. Que a Reserva seja para ele a reserva com que contam os Generais no campo de batalha, pronta a intervir, no momento certo, no lugar ideal e com o entusiasmo e poder de fogo necessários e suficientes para conduzir à vitória. Essa é minha opinião, salvo melhor juízo.....
Um forte abraço fraterno.
Cel José Gobbo Ferreira
Alguns companheiros, imbuídos das melhores intenções e com a alma militar sangrando (como a minha), vem sendo implacáveis nas condenações às atitudes de nossos Chefes, em particular o General Enzo, encontrando em tudo o que ele faz, ou deixa de fazer, um motivo para criticar acerbamente seu comportamento.
Esse é um erro que não se justifica em combatentes que somos. O inimigo é outro. Não é o Comandante da Força. Por razões absolutamente fora de nosso alcance, a Nação aproou para a esquerda. O povo, em sua maior parte ignorante, imediatista e à venda por baixo preço, escolheu esse regime que aí está, que não é aquele que desejaríamos. Não há como negar isso e nem como mudar esse quadro antes de outra eleição, a menos que haja um golpe de estado e uma ruptura constitucional, o que também não desejamos, como já exprimiu o ilustre General Valdésio.
Assim, para usar uma figura que qualquer guerreiro entenderia, as pessoas em cargos de decisão que pensem como nós, incluindo aí nosso Comandante, são como combatentes operando em território inimigo. De nada adianta para eles se arvorarem em machões e abrirem fogo abertamente contra qualquer alvo que seja. Seriam abatidos na hora. Se o Comandante bater de frente com o establishment será destituído imediatamente, "sans autre forme de procès". Isso é evidente. E entraria um outro, que viveria os mesmos dilemas, e la nave va.
Exaltar a eficiência do Exército na luta contra o comunismo, como anfitrião, em um discurso na presença do Comandante Supremo, que é comunista, me parece uma falta imperdoável de tato, uma agressão descabida e um suicídio inútil, smj.
O guerreiro perdido em território inimigo precisa agir com toda precaução. Obter pequenos progressos paulatinamente. Conquistar pouco a pouco habitantes locais que lhe deem abrigo e comida. E ir se aproximando de seu objetivo, sempre homeopaticamente e com extremo cuidado. Qualquer descuido é fatal. Essa é uma situação extremamente perigosa, desgastante e estressante.
Não gostaria jamais de estar na situação do General Enzo. Tenho a mais absoluta certeza de que ele luta pelo Exército dentro das limitações impostas pela situação tática e estratégica. Se submete a constrangimentos que não precisaria mais sofrer e suporta pressões angustiantes das quais estaria livre na tranquilidade da Reserva e, supremo sacrifício, recebe ordens de Celso Amorim e tem que tolerar a presença de José Genuíno, tudo para cumprir a missão sagrada de servir à Força e evitar, na medida de suas possibilidades, que mal maior possa vir a acontecer.
Cada um pode bem imaginar a seu modo, mas ninguém sabe exatamente o que se passa nos corredores palacianos, e condenar o Chefe sem esse conhecimento é, no mínimo, uma flagrante injustiça, à qual jamais me associarei.
O momento é de cerrar fileiras em torno de nossos Chefes e de nos unirmos na reserva, fazendo nossa parte. Que essa parte não se limite a trocar entre nós e-mails candentes e enfurecidos, mas sim que procuremos encontrar maneiras de levar nossa voz além de nossas fronteiras. Aproveitar oportunidades para discutir nossas posições com formadores de opinião externos ao nosso meio, como fizeram os Generais Heleno, Rocha Paiva e Felício. Chamá-los para a discussão em campo aberto. Conquistar corações e mentes no meio civil, em particular entre a juventude, obtendo assim uma base de apoio cada vez mais sólida para nossas manobras.
Nunca me esquecerei do CICAO, no frontispício do prédio principal de nosso ninho. O fato de que não vamos mais comandar, não nos desonera do dever de obedecer. Os tempos de guerra em que o inimigo está vencendo são duros, e impõem sofrimentos e desalento. Mas temos que buscar dentro de nós a endurance moral para suportar a pressão sem dissenções, unidos na defesa de nossos ideais, cada um confiando em que o outro está dando o melhor de si no combate que representa o derradeiro esforço na defesa da liberdade em nosso país. Todas as demais instituições já estão "dominadas" pelo inimigo. Não podemos nos dar ao luxo de perder eficácia praticando o tiro amigo.
Divulgue minhas ideias da maneira que achar conveniente e se achar conveniente. Para seus destinatários, permita que acrescente mais um parágrafo:
Meus caríssimos irmãos de armas. Que não turbe vossas consciências o fato de que essas palavras venham de alguém tão pouco qualificado para escrevê-las. Elas não constituem reproche nem crítica, mas apenas considerações sinceras oriundas de um jovem mas cauteloso guerreiro com 71 anos de idade. Respeitosamente apresento armas para todos que se engajam nessa luta, qualquer que tenha sido até agora sua maneira de fazê-lo. Convoco os até então indiferentes para a luta. E vamos reagrupar o dispositivo, sob as vistas e fogos do inimigo, mas unidos e coesos em torno do Chefe, que há de nos mostrar o caminho do dever. Que a Reserva seja para ele a reserva com que contam os Generais no campo de batalha, pronta a intervir, no momento certo, no lugar ideal e com o entusiasmo e poder de fogo necessários e suficientes para conduzir à vitória. Essa é minha opinião, salvo melhor juízo.....
Um forte abraço fraterno.
Cel José Gobbo Ferreira
domingo, 22 de abril de 2012
O PT inaugurou no Brasil os “movimentos sociais” em defesa da corrupção! Não chega a ser inédito no mundo! O fascismo já havia chegado lá
Milhares de
pessoas, não muitos milhares, saíram às ruas ontem em 80 cidades brasileiras
cobrando celeridade do STF no julgamento do mensalão e protestando contra a
corrupção. “Celeridade” nem é uma palavra tão boa assim. No dia 6 de junho, a
entrevista que Roberto Jefferson concedeu à Folha denunciando o mensalão — à
boca pequena, a suspeita estava em todos os cantos e era amplamente comentada
por políticos e jornalistas — completa seis anos. Larápios que deveriam estar na
cadeia só engordaram, nesse tempo, a sua conta bancária e conspiraram em quartos
de hotel, explorando uma espécie de lenocínio contra as instituições e o estado
de direito.
Publiquei
algumas fotos das manifestações. Numa delas — e a imagem é recorrente em várias
cidades —, uma jovem aparece com o rosto pintado de verde e amarelo, remetendo
aos caras-pintadas de 1992, que concorreram para a queda de Fernando Collor. O
mesmo Collor que agora integrará a CPI do Cachoeira como força auxiliar do
PT.
Não,
senhores! O PT e os ditos movimentos sociais não participaram do protesto, é
claro! Eles agora são poder. Em 1992, estavam na oposição. Para petistas e
assemelhados, denunciar corruptos quando se está na oposição é mister;
protegê-los, quando se está no governo, é um dever. Para os petistas, o mal não
está na corrupção em si, mas em quem a pratica. No adversário, é uma falha
grave; nos companheiros, é apenas uma ação tática — ou estratégica, a depender
do teórico — para combater “a direita” e “os conservadores”.
Aquela moça
de cara pintada nos lembra que Lindberg Farias, por exemplo, presidente da UNE
em 1992, passados 20 anos, é senador do Rio pelo PT. Por que ele engrossaria
agora uma passeata em favor da punição dos mensaleiros? José Dirceu, um dos mais
buliçosos articuladores dos movimentos — JUSTIFICADOS, É BOM QUE FIQUE CLARO! —
em favor do impeachment de Collor, está empenhado agora em revistar a história e
negar o óbvio: os crimes cometidos pelos mensaleiros e pelo chefe da
quadrilha.
Por isso, os
petistas e os movimentos sociais que eles controlam não vão às praças. Ao
contrário. Quando Dirceu é chamado a falar em fóruns de esquerdistas, alguns
deles promovidos, direta ou indiretamente, com dinheiro público, a saudação é
outra: “José Dirceu guerreiro/ herói do povo brasileiro”. O PT tenta
deixar um legado na política brasileira: a corrupção praticada por esquerdistas
é apenas um ato de resistência. Antes que avance, uma consideração importante:
não pensem que o partido inova ao fazer tal avaliação. Essa amoralidade
constitui a essência do próprio pensamento de esquerda, revelada, já comentei
aqui, de forma cristalina por Sartre na peça “As Mãos Sujas”. Tentem encontrar
num sebo e leiam (depois ele virou um comunista cretino). Ali está a essência de
como as esquerdas, mesmo a “melhor” esquerda, lidam com o crime. Para elas, o
que determina se uma ação é criminosa ou não são os seus objetivos. Se servirem
ao que chamam “libertação dos oprimidos”, tudo é permitido — e, pior do que
isso, tudo passa a ser necessário, desde que assim decida o partido. Não é
diferente do fascismo — só que este fala em nome do “estado”. Igualam-se no ódio
à democracia e ao liberalismo.
Um
pouco de históriaNão sei para onde caminha a sociedade brasileira —
não tenho bola de cristal. Os que me leem desde a revista República (e
o PT ainda era oposição) ou, um pouco mais tarde, desde Primeira
Leitura, sabem que nunca fui exatamente otimista. Há muitos anos me
incomoda a agressão sistemática promovida por forças do establishment (e o PT já
era establishment quando oposição) contra as instituições. Em 2003, fui
convidado a falar num seminário promovido pelo PSDB. Discutia-se qualquer coisa
como “os caminhos da oposição”. Cheguei a escrever um artigo para a revista da
Fundação Teotônio Vilela. Afirmei então, para espanto (e discordância) de muitos
tucanos presentes — nunca fui ligado ao PSDB, como sabe ao partido, porque
repudio sua esquerdofilia —, que os petistas tendiam a fagocitar (um
neologismo derivado do substantivo “fagocitose”) instituições, partidos
conservadores, movimentos sociais, entidades de classe trabalhadoras e
patronais… Lembro-me de certo espanto dos presentes. Alguns me olhavam
indagando: “Quem é esse paranoico aí?’ Pois é…
O meu
antípoda da tarde foi o sociólogo Sérgio Abranches, que tranquilizou a todos
afirmando que as virtudes do “presidencialismo de coalizão” impediriam aventuras
autoritárias do PT. A minha tese não era — e nunca foi — a de que o petistas tentariam um
golpe bolchevista (sempre achei isso uma grossa bobagem), mas a de que eles
dariam um jeito de tornar irrelevantes os controles e filtros democráticos,
alterando-lhes os códigos. E falei bastante sobre Antonio Gramsci. A maioria dos
tucanos preferiu, visivelmente, a mirada otimista de Abranches. Talvez ela lhes
parecesse menos trabalhosa do que anunciava a minha análise. Lembro-me da
satisfação de alguns ali quando diziam: “Mas os petistas estão governando com o
nosso programa, com os nossos marcos econômicos!”. E eu tentei: “Sei disso! Por
isso mesmo, a coisa é mais séria do que parece! Eles estão sequestrando os seu
valores e suas conquistas”. Em vão!
O
responsável mais direto por eu ter sido convidado para aquele
seminário e única liderança que concordou comigo
era o então deputado federal tucano (e depois secretário-geral do partido por um
tempo) Eduardo Paes, atual prefeito do Rio pelo PMDB. Paes, reitero, endossou a
minha constatação de que o petismo estava se articulando como força hegemônica
para fagocitar inclusive lideranças da oposição!!! O prefeito poderia
dar seu testemunho se fosse o caso. Sabe que falo a verdade. Paes fez depois as
suas escolhas, e eu continuei com as minhas. Ambos sabíamos, e louvo-lhe a
perspicácia, para onde as coisas estavam caminhando, não é
mesmo?
CPI
do Cachoeira, mensalão etcOs primeiros dados que vazaram da
investigação da PF dão conta de que o bicheiro Carlinhos Cachoeira está muito
mais enfronhado no estado brasileiro do que se supunha. Sozinha, a Construtora
Delta pode fazer tremer a República. A CPI seria, sim, um bom momento e um bom
lugar para desbaratar o esquema criminoso. Mas já dá para saber que isso não vai
acontecer. Ao contrário: os que se moveram, inicialmente, em favor da comissão
de inquérito não querem fulminar o esquema criminoso. Ao contrário: usuários e
usurários da sem-vergonhice, pretendem apenas fazer valer a maioria de votos de
que dispõem na comissão (25 a 6) para intimidar a oposição e para demonstrar que
a política brasileira é mesmo essencialmente suja — logo, os crimes do mensalão,
que hoje eles negam (contra todas as evidências), ainda que tenham existido, não
teriam sido excepcionais.
Vocês são
testemunhas de que este blog foi pioneiro em chamar a atenção para essa
pilantragem, ainda no dia 1º de abril. Aí Lula (por intermédio de Paulo
Okamoto), Rui Falcão e o próprio Dirceu anunciaram a intenção de usar a CPI do
Cachoeira para tentar desmoralizar a peça acusatória do mensalão. Como a coisa
pegou mal, tentaram recuar. Mas, vocês sabem, eu não sou petista nem gosto do
PT. Assim, é razoável que alguns duvidem do que escrevo a respeito das intenções
desses patriotas. Então por que não acreditar no que escreve Kennedy Alencar,
insuspeito de antipetismo ou de isenção no que diz respeito ao partido?
Leiam:“Quem conversou recentemente com o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, com o ex-ministro José Dirceu e com cardeais petistas
obteve algumas pistas que ajudam a explicar a origem dessa CPI. Em resumo, Lula
e Dirceu não pretendem aceitar que o mensalão passe para a história como o
escândalo de corrupção mais grave dos 512 anos de existência do Brasil.
Lula e Dirceu estariam dispostos “a dividir o país”, nas palavras de um cardeal petista, para evitar que o mensalão seja catalogado como o maior caso de corrupção da história. Isso significa mobilizar os setores mais organizados da sociedade que defendem o PT para uma batalha nas ruas, nas redes sociais e nas articulações em Brasília.”
Lula e Dirceu estariam dispostos “a dividir o país”, nas palavras de um cardeal petista, para evitar que o mensalão seja catalogado como o maior caso de corrupção da história. Isso significa mobilizar os setores mais organizados da sociedade que defendem o PT para uma batalha nas ruas, nas redes sociais e nas articulações em Brasília.”
Huuummm…
Quem terá conversado com toda essa gente, hein? Kennedy certamente tem menos
dificuldades para falar hoje com Lula do que quando era, oficialmente, seu
assessor de imprensa. Se ele diz que o objetivo desses fidalgos da República é
só livrar a cara dos mensaleiros, então convém acreditar. As afirmações que fiz
no dia 1º de abril não eram só um delírio de um notório crítico do PT. Elas
expressavam os delírios daqueles petistas. Não precisei falar com Lula, Dirceu e
os cardeais para concluir isso precocemente. A lógica continua a ser uma boa
fonte do analista. Com frequência, é melhor do que os políticos, que sempre
tentam engabelar jornalistas. A lógica não engabela ninguém.
FascistoidesO fascismo tem
características múltiplas, muitas faces e cor local. O italiano foi diferente do
alemão, que foi diferente do português, que foi diferente do espanhol, que foi
diferente do da República de Vichy… Com um núcleo comum de valores, cada qual
teve as suas especificidades. Uma das características comuns foi o estado de
permanente mobilização da sociedade contra “eles”, os “inimigos” — fossem
chamados de “judeus”, “comunistas”, “imorais”, “liberais”… Essa sociedade
permanentemente crispada pelo estado, estimulada a reivindicar seus direitos
contra “eles” — nunca contra o estado —, costumava ir às ruas fazer protestos,
exigindo reparações. Vale dizer: uma das características essenciais de
qualquer fascismo se revela quando movimentos oficialistas pretendem tomar o
espaço da contestação. Ou por outra: você está num regime
fascista ou fascistóide quando forças da ordem tomam o lugar das forças de
repúdio à ordem.
Não é isso o
que vemos hoje? A canalha pode não estar nas ruas, mas se organiza na Internet,
aparelhando sites dos grandes veículos de comunicação, as redes sociais, os
ditos “movimentos sociais”… Incluem-se no grupo, é evidente os subjornalistas de
aluguel, sustentados pelo governo ou pelas estatais. Esses vagabundos fazem o
protesto a favor do establishment, a favor do poder, ainda que contra a noção
mais comezinha de moralidade. E daí?
“O mensalão
nunca existiu”, eles sustentam; tudo invenção da imprensa em conluio com
Carlinhos Cachoeira. Muito bem… Mas o que o bicheiro tem a ver com a dinheirama
movimentada por Marcos Valério ou com o pagamento a Duda Mendonça feito no
exterior? Nada! Kennedy nos ensina:“Quando fala em ‘farsa do mensalão’, o
ex-presidente busca relativizar o que ele mesmo sabe ser um desvio de conduta
grave de uma legenda que nasceu se dizendo defensora da ética na política. Lula
já disse que o PT errou, mas tenta minimizar o episódio, dando a ele ar de
financiamento eleitoral e partidário ilegal.”Eu diria que o
próprio Lula consegue ser mais severo com o PT do que o autor do texto. Eu diria
que a expressão “financiamento eleitoral e partidário ilegal” consegue ser mais
grave do as palavras cândidas escolhidas pelo articulista para definir o
mensalão: “desvio de conduta
grave”. Imaginem! Se você cruzar com um mensaleiro na rua
ou no aeroporto, não hesite em ser duro com ele: “Você não passa de um sujeito
com a conduta desviada!” No caso de ser um estuprador compulsivo, seja
fulminante: “Sua conduta desvia da norma culta!” Seja
implacável!!
A propósito:
se Lula sabe que o mensalão foi um “desvio de conduta grave”, o que isso tem a
ver com as outras picaretagens de Cachoeira? Em que estas minimizariam aquelas?
A pergunta não tem resposta.
Essa
movimentação a soldo na Internet, especialmente aquela que se faz contra a
imprensa — como se as comprovadas malandragens de petistas fossem uma invenção
do jornalismo em associação com Cachoeira —, é só uma das faces dos
fascistóides. Sua expressão mais visível é a mobilização a favor da corrupção e
de corruptos.
Os protestos
de ontem em favor do julgamento do mensalão mostram que a sociedade ainda
respira.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
A falência múltipla dos órgãos públicos!
Arnaldo Jabor – O GLOBO 17 Abr 12
Esse mar de lama pode nos purificar
Os corruptos ajudam-nos a descobrir o país. Há sete anos, Roberto Jefferson nos abriu a cortina do mensalão.
Agora, com a dupla personalidade de Demóstenes Torres, descortinamos rios e florestas e a imensa paisagem de Cachoeira.
Jefferson teve uma importância ideológica. Cachoeira é uma inovação sociológica.
Cachoeira é uma aula magna de ciência politica sobre o Sistema do país.
Vamos aprender muito com essa crise. É um esplendoroso universo de fatos, de gestos, de caras, de palavras que eclodiram diante de nossos olhos nas últimas semanas. Meu Deus, que riqueza, que profusão de cores e ritmos em nossa consciência política! Que fartura de novidades da sordidez social, tão fecunda quanto a beleza de nossas matas, cachoeiras, várzeas e flores.
Roberto Jefferson denunciou os bolchevistas no poder, os corruptos que roubavam por "bons motivos", pelo "bem do povo", na base dos "fins que justificam os meios". E, assim, defenestrou a gangue de netinhos de Lenin que cercavam o Lula, que, com sua imensa sorte, se livrou dos manda-chuvas que o dominavam. Cachoeira é uma alegoria viva do patrimonialismo, a desgraça secular que devasta a História de nosso país. Sarney também seria "didático", mas nada gruda nele, em seu terno de teflon; no entanto, quem estudasse sua vida entenderia o retrato perfeito do atraso brasileiro dos últimos 50 anos.
Cachoeira é a verdade brasileira explícita, é o retrato do adultério permanente entre a coisa pública e privada, aperfeiçoado nos últimos dez anos, graças à maior invenção de Lula: a "ingovernabilidade".
Cachoeira é um acidente que rompeu a lisa aparência da "normalidade" oficial do país. Sempre soubemos que os negócios entre governo e iniciativa privada vêm envenenados pelas eternas malandragens: invenção de despesas inúteis (como as lanchas do Ministério da Pesca), superfaturamento de compras, divisão de propinas, enfrentamento descarado de flagrantes, porque perder a dignidade vale a pena, se a grana for boa, cabeça erguida negando tudo, uns meses de humilhações ignoradas pelo cinismo e pela confiança de que a Justiça cega, surda e muda vai salvá-los. De resto, com a grana na "cumbuca", as feridas cicatrizam logo.
O governo do PT desmoralizou o escândalo, e Cachoeira é o monumento que Lula esculpiu. Lula inventou a ingovernabilidade em seu proveito pessoal. Não foi nem por estratégia política por um fim "maior" - foi só para ele.
Achávamos a corrupção uma exceção, um pecado, mas hoje vemos que o PT transformou a corrupção em uma forma de governo, em um instrumento de trabalho. A corrupção pública e privada é muito mais grave e lesiva que o tráfico de drogas.
Lula teve a esperteza de usar nossa anomalia secular em projeto de governo.
Essa foi a realização mais profunda do governo Lula: o escancaramento didático do patrimonialismo burguês e o desenho de um novo e "peronista" patrimonialismo de Estado.
Quando o paladino da moralidade Demóstenes ficou nu, foi uma mão na roda para dezenas de ladrões que moram no Congresso: "Se ele também rouba, vamos usá-lo como um Omo, um sabão em pó para nos lavar, vamos nos esconder atrás dele, vamos expor nosso escândalo por seu comportamento e assim, seremos esquecidos!"
Os maiores assaltantes se horrorizaram, com boquinha de nojo e olhos em alvo: "Meu Deus... como ele pôde fazer isso?"
Usam-no como um oportuno bode expiatório, mas ele é mais um "boi de piranha" tardio, que vai na frente para a boiada se lavar atrás.
Demóstenes foi uma isca. O PT inventou a isca e foi o primeiro a mordê-la.
"Ótimo!" - berrou o famoso estalinista Rui Falcão. - "Agora vamos revelar a farsa do mensalão!" -, no mesmo tom em que o assassino iraniano disse que não houve Holocausto. "Não houve o mensalão; foi a mídia que inventou, porque está comprada pela oposição!" Os neototalitários não desistem da repressão à imprensa democrática...
E foi o Lula que estimulou a CPI, mesmo prejudicando o governo de Dilma, que ele usa como faxineira também das performances midiáticas que cometeu em seu governo. Dilma está aborrecida. Ela não concorda que as investigações possam servir para que o Partido se vingue dos meios de comunicação e não quer paralisar o Congresso. Mas Lula não liga. "Ela que se vire..." - ele pensa em seu egoísmo, secretamente até querendo que ela se dane, para ele voltar em 14. Agora, todo mundo está com medo, além da presidente. O PT está receoso - talvez vagamente arrependido. Pode voltar tudo: aloprados, caixas
2 falsas, a volta de Jefferson, Celso Daniel, tantas coisinhas miúdas... A CPI é um poço sem fundo. O PMDB, liderado pelo comandante do atraso Sarney, também está com medo. A velha raposa foi contra, pois sabe que merda não tem bússola e pode espirrar neles. Vejam o pânico de presidir o Conselho de Ética, conselho que tem membros com graves problema na Justiça. Se bem que é maravilhoso o povo saber que Renan, Juca, Humberto Alves, Gim Argello, Collor serão os "catões", os puros defensores da decência... Não é sublime tudo isso? Nunca antes em nossa História alianças tão espúrias tiveram o condão de nos ensinar tanto sobre o Brasil. A cada dia, nos tornamos mais sábios, mais cultos sobre esta grande chácara de oligarquias. E eu estou otimista. Acho que tudo que ocorre vai nos ensinar muito. Há qualquer coisa de novo nesta imundície. O mundo atual demanda um pouco mais de decência política. Cachoeira, Jefferson, Durval Barbosa nos ensinam muito. Estamos progredindo, pois aparece mais a secular engrenagem latrinária que funciona abaixo dos esgotos da pátria. A verdade está nos intestinos da política.
Mas o país é tão frágil, tão dependente de acasos, que vivemos com o suspense do julgamento do mensalão pelo STF.
Se o ministro Ricardo Lewandowski não terminar sua lenta leitura do processo, nada acontecerá, e a Justiça estará desmoralizada para sempre.
Esse mar de lama pode nos purificar
Os corruptos ajudam-nos a descobrir o país. Há sete anos, Roberto Jefferson nos abriu a cortina do mensalão.
Agora, com a dupla personalidade de Demóstenes Torres, descortinamos rios e florestas e a imensa paisagem de Cachoeira.
Jefferson teve uma importância ideológica. Cachoeira é uma inovação sociológica.
Cachoeira é uma aula magna de ciência politica sobre o Sistema do país.
Vamos aprender muito com essa crise. É um esplendoroso universo de fatos, de gestos, de caras, de palavras que eclodiram diante de nossos olhos nas últimas semanas. Meu Deus, que riqueza, que profusão de cores e ritmos em nossa consciência política! Que fartura de novidades da sordidez social, tão fecunda quanto a beleza de nossas matas, cachoeiras, várzeas e flores.
Roberto Jefferson denunciou os bolchevistas no poder, os corruptos que roubavam por "bons motivos", pelo "bem do povo", na base dos "fins que justificam os meios". E, assim, defenestrou a gangue de netinhos de Lenin que cercavam o Lula, que, com sua imensa sorte, se livrou dos manda-chuvas que o dominavam. Cachoeira é uma alegoria viva do patrimonialismo, a desgraça secular que devasta a História de nosso país. Sarney também seria "didático", mas nada gruda nele, em seu terno de teflon; no entanto, quem estudasse sua vida entenderia o retrato perfeito do atraso brasileiro dos últimos 50 anos.
Cachoeira é a verdade brasileira explícita, é o retrato do adultério permanente entre a coisa pública e privada, aperfeiçoado nos últimos dez anos, graças à maior invenção de Lula: a "ingovernabilidade".
Cachoeira é um acidente que rompeu a lisa aparência da "normalidade" oficial do país. Sempre soubemos que os negócios entre governo e iniciativa privada vêm envenenados pelas eternas malandragens: invenção de despesas inúteis (como as lanchas do Ministério da Pesca), superfaturamento de compras, divisão de propinas, enfrentamento descarado de flagrantes, porque perder a dignidade vale a pena, se a grana for boa, cabeça erguida negando tudo, uns meses de humilhações ignoradas pelo cinismo e pela confiança de que a Justiça cega, surda e muda vai salvá-los. De resto, com a grana na "cumbuca", as feridas cicatrizam logo.
O governo do PT desmoralizou o escândalo, e Cachoeira é o monumento que Lula esculpiu. Lula inventou a ingovernabilidade em seu proveito pessoal. Não foi nem por estratégia política por um fim "maior" - foi só para ele.
Achávamos a corrupção uma exceção, um pecado, mas hoje vemos que o PT transformou a corrupção em uma forma de governo, em um instrumento de trabalho. A corrupção pública e privada é muito mais grave e lesiva que o tráfico de drogas.
Lula teve a esperteza de usar nossa anomalia secular em projeto de governo.
Essa foi a realização mais profunda do governo Lula: o escancaramento didático do patrimonialismo burguês e o desenho de um novo e "peronista" patrimonialismo de Estado.
Quando o paladino da moralidade Demóstenes ficou nu, foi uma mão na roda para dezenas de ladrões que moram no Congresso: "Se ele também rouba, vamos usá-lo como um Omo, um sabão em pó para nos lavar, vamos nos esconder atrás dele, vamos expor nosso escândalo por seu comportamento e assim, seremos esquecidos!"
Os maiores assaltantes se horrorizaram, com boquinha de nojo e olhos em alvo: "Meu Deus... como ele pôde fazer isso?"
Usam-no como um oportuno bode expiatório, mas ele é mais um "boi de piranha" tardio, que vai na frente para a boiada se lavar atrás.
Demóstenes foi uma isca. O PT inventou a isca e foi o primeiro a mordê-la.
"Ótimo!" - berrou o famoso estalinista Rui Falcão. - "Agora vamos revelar a farsa do mensalão!" -, no mesmo tom em que o assassino iraniano disse que não houve Holocausto. "Não houve o mensalão; foi a mídia que inventou, porque está comprada pela oposição!" Os neototalitários não desistem da repressão à imprensa democrática...
E foi o Lula que estimulou a CPI, mesmo prejudicando o governo de Dilma, que ele usa como faxineira também das performances midiáticas que cometeu em seu governo. Dilma está aborrecida. Ela não concorda que as investigações possam servir para que o Partido se vingue dos meios de comunicação e não quer paralisar o Congresso. Mas Lula não liga. "Ela que se vire..." - ele pensa em seu egoísmo, secretamente até querendo que ela se dane, para ele voltar em 14. Agora, todo mundo está com medo, além da presidente. O PT está receoso - talvez vagamente arrependido. Pode voltar tudo: aloprados, caixas
2 falsas, a volta de Jefferson, Celso Daniel, tantas coisinhas miúdas... A CPI é um poço sem fundo. O PMDB, liderado pelo comandante do atraso Sarney, também está com medo. A velha raposa foi contra, pois sabe que merda não tem bússola e pode espirrar neles. Vejam o pânico de presidir o Conselho de Ética, conselho que tem membros com graves problema na Justiça. Se bem que é maravilhoso o povo saber que Renan, Juca, Humberto Alves, Gim Argello, Collor serão os "catões", os puros defensores da decência... Não é sublime tudo isso? Nunca antes em nossa História alianças tão espúrias tiveram o condão de nos ensinar tanto sobre o Brasil. A cada dia, nos tornamos mais sábios, mais cultos sobre esta grande chácara de oligarquias. E eu estou otimista. Acho que tudo que ocorre vai nos ensinar muito. Há qualquer coisa de novo nesta imundície. O mundo atual demanda um pouco mais de decência política. Cachoeira, Jefferson, Durval Barbosa nos ensinam muito. Estamos progredindo, pois aparece mais a secular engrenagem latrinária que funciona abaixo dos esgotos da pátria. A verdade está nos intestinos da política.
Mas o país é tão frágil, tão dependente de acasos, que vivemos com o suspense do julgamento do mensalão pelo STF.
Se o ministro Ricardo Lewandowski não terminar sua lenta leitura do processo, nada acontecerá, e a Justiça estará desmoralizada para sempre.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Reflexões sobre política e militares
A crise decorrente da
divulgação, pelos três Clubes Militares, de um manifesto relativo às questões
suscitadas por declarações de ministras contrárias à Lei da Anistia, tendo como
pretexto a Comissão da Verdade – que nenhum militar teme, mas deseja imparcial,
buscando a verdade dos dois lados em confronto à época – trouxe à tona um
assunto adormecido: a participação militar ostensiva na vida política do País, o
que não ocorria desde a redemocratização.
A exemplo disso, cite-se
Dora Kramer, que, em 26 de fevereiro afirmou no artigo "Por quem Serra cedeu",
no jornal O Estado de S.Paulo: "Nostalgia. Os grupos de militares da reserva que
reclamaram da falta de censura por parte da presidente Dilma Rousseff às
críticas de suas ministras ao governo autoritário queriam o quê? Pelo visto,
interditar o direito à livre manifestação, num surto saudosista. Foram obrigados
a recuar, chamados à realidade de que estão fora do jogo político desde a volta
ao País à legalidade com o fim do regime de
exceção."
Como Major Brigadeiro da
reserva da Força Aérea Brasileira, com quase 42 anos de serviços prestados a
este nosso sofrido Brasil, com participação nas enchentes em Tubarão, Projeto
RADAM, muitas buscas de aeronaves perdidas, resgates arriscados, comandos como o
do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), ao qual o ITA se subordina, não poderia
deixar de comentar o tema.
A crer-se na colunista,
uma ministra dizer o que bem entende está certo; sua opinião não expressa a
opinião do governo, não compromete as posições da presidente, ainda que em
desacordo com supostas políticas governamentais ou compromissos presidenciais. O
direito de se expressar é sagrado. Mas os Clubes Militares, entidades de Direito
Civil (abertos a civis inclusive), por representarem militares não poderiam nem
pensar, e menos ainda expor, opinião que desagradasse ao presidente de plantão.
Para a jornalista, ao entrarmos para a vida militar, entraríamos na verdade num
claustro, com voto de silêncio pelo resto da vida. Toda a nossa vivência,
experiência profissional, tudo somado, não poderia contribuir para o
aperfeiçoamento institucional da Nação, não seria alerta para correções de
rumos, válvulas para controlar a pressão gerada por baixos salários,
sistemáticas campanhas de difamação etc.
E não estaríamos, assim,
diante de um desserviço ao Brasil? Ingressei na Força Aérea no início de 1965.
Convivi com mais de mil cadetes, na faixa dos 18 aos 24 anos, com aspirações,
desejos e esperanças de qualquer jovem da época. Vim de uma família pobre do
interior de Minas Gerais. Nos quatro anos como aluno e cadete, que me lembre,
ninguém foi preso, torturado ou expulso da Escola da Aeronáutica por razões
políticas. Nem a seleção para o ingresso levava em consideração critérios
políticos, apenas o mérito.
É bem verdade que além de
não termos tempo, não discutíamos muito política e nem o proselitismo político
era tolerado, como, aliás, acontece até hoje. Tudo que não se quer em país
nenhum do mundo é Forças Armadas que respondam a interesses de partidos
políticos e não do Estado. A História está repleta das consequências que isto
acarreta: Gestapo, Exércitos Vermelhos, Forças de Libertação Nacional.
Resultado: 6 milhões de judeus mortos, 65 milhões de chineses, 20 milhões de
soviéticos (inclusive 7 milhões de ucranianos mortos de fome), 2 milhões de
coreanos do norte, 2 milhões de cambojanos, 1 milhão de vietnamitas, 150 mil
entre cubanos, nicaraguenses e peruanos, 45 mil na guerra das FARC na Colômbia,
a esmagadora maioria, civis (guerra que ainda cobra seu preço em vidas humanas),
cerca de 30 mil na Argentina e 3.000 no Chile.
Aqui tivemos a
infelicidade de perder 372 brasileiros mortos ou desaparecidos, fatos atribuídos
à Revolução, e 120 pelos terroristas de esquerda. Cerca de 370 militares do
Exército participaram nas ações dos DOI - CODI, num efetivo de 150.000 homens.
Não me parece que possamos chamar isto de militarização do Brasil. Pelo menos no
que concerne à Força Aérea, a política partidária esteve de fora no período
revolucionário e assim está até hoje.
A Guerrilha do Araguaia não foi
iniciada pelos militares, mas por integrantes seniores do PCdoB e de grupos
terroristas que preferiram o conforto da cidade, mas enviaram jovens para lá.
Essa guerrilha estava sendo gestada desde 1961, antes da Revolução. Os militares
que a combateram não foram para lá como voluntários, mas no cumprimento da
missão de garantir a lei e a ordem.
A porta dos movimentos
terroristas de esquerda só tinha uma via – a da entrada, uma vez que, por
segurança, a ninguém era permitido sair vivo. Há como citar vários
"justiçados". Daí que muitos, como Zé Dirceu, trocaram de identidade, às vezes
com o auxílio das Forças de Segurança, e
desapareceram.
Este não é um quadro
edificante e teria sido melhor a nação não tê-lo vivido. Gorender, um dos
expoentes da esquerda, escreveu que não se vai à guerra para levar flores, e a
luta armada promovida pelas esquerdas não deixou dúvidas a esse respeito (ver:
http://www.myspace.com/
video/vid/61840367).
Enquanto as Forças de
Segurança do Estado evitaram ao máximo os efeitos da guerra sobre civis
inocentes, boa parcela dos mortos e mutilados, provocados por atos terroristas,
eram civis. Não jogamos bombas de napalm no Araguaia, não houve prisões em massa
– cerca de 2.000, numa população de 100 milhões.
Querer estigmatizar as
Forças Armadas, discriminar seus integrantes, atribuir-lhes crimes que não
cometeram é inaceitável. Muito se fala em Herzog, um jornalista, mas nada sobre
o operário Fiel Filho, também morto no DOPS de São Paulo. Sua morte, entretanto,
acarretou a destituição do Comandante do 4º Exército, Gen. Ednardo D'Ávila, por
Geisel, à revelia do ministro do Exército, Gen. Silvio Frota, também destituído
depois, num claro recado de que ações daquele tipo não seriam toleradas.
Os militares e civis que
fizeram a Revolução de 64 tinham um projeto para o País, incluindo-se educação.
Lembram-se dos problemas dos "excedentes"? Da falta de vagas nas Universidades?
Eu sou testemunha da dificuldade que era estudar neste interior do Brasil na
década de 1950, início da de 1960. Em todo o Sul de Minas, que eu soubesse, não
existia uma única escola pública além do primário. Meu pai foi um herói ao
conseguir manter seus sete filhos na escola; todos obtiveram diplomas de curso
superior, feito admirado pela comunidade até hoje. Saúde? Era para quem tinha
dinheiro. Comida? Recebíamos alimentos enviados pelos americanos pelo projeto
USAID.
Inflação nas alturas.
Muitos indo à falência, entre os quais meu pai. Ninguém tinha experiência em
sobreviver num ambiente inflacionário. O País no caos, com greves, manifestações
e a indisciplina incentivada nas Forças Armadas. Brasil indo célere para uma
ditadura comunista.
Havia de escolher-se um
lado: soviéticos/comunismo, ou americanos/capitalismo. O povo escolheu os
valores ocidentais e foi deflagrada a contrarrevolução, tão bem sucedida que nem
um tiro foi disparado.
Os militares nunca tiveram
como propósito se perpetuar no poder, tanto que fizeram uma transição pacífica
em 1985 e sem perder o prestígio junto aos brasileiros: permanecem com mais de
70% de aprovação em todas as pesquisas
recentes.
A Argentina destruiu seu
poder militar e agora quer discutir as Malvinas com a Inglaterra. Com que cartas
vai negociar? Já o Chile dispõe das mais modernas Forças Armadas do continente.
A História dirá com quem está a razão.
A quem interessa, passados
tantos anos, buscar este revanchismo a que estamos assistindo com "Comissão da
Verdade Oficial"? Agressões a velhinhos, muitos deles, heróis da Segunda Guerra?
O povo brasileiro quer ou precisa disso? E por que não aparecem vozes políticas
de bom senso para colocar a discussão nos devidos
termos?
Temos um embate assimétrico
em curso: de um lado, partidos radicais de esquerda, com o amparo da mídia, e a
conivência do governo, ao que parece; de outro, Instituições de Estado –as
Forças Armadas, com mais de 70% de aprovação popular. Se as Forças Armadas
reagirem, e isso pode acontecer, fatalmente teremos uma crise institucional. Ou,
então, veremos, passivamente, uma campanha sistemática de desmoralização do
poder militar brasileiro. Isto interessa ao Brasil ou é uma estratégia de poder
de um grupo político?
Afinal, para que servem as
Forças Armadas? Para garantir que cada brasileiro viva em paz em nossa terra,
objetivo alcançado e que deve ser mantido. A paz, porém, poderá ser ameaçada se
grupos radicais insistirem numa linha de
confronto.
Adenir Siqueira
Viana é Major Brigadeiro do Ar da Reserva da Força Aérea
Brasileira e professor nos Cursos de Logística e Ciências Aeronáutica da
Universidade do Sul de Santa Catarina -
UNISUL
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Lula quer fazer uma pizza do Mensalão
Lula e petistas aumentam pressões sobre STF pelo
mensalão
CATIA SEABRA
FELIPE SELIGMAN
NATUZA NERY
DE BRASÍLIA
FELIPE SELIGMAN
NATUZA NERY
DE BRASÍLIA
Atualizado às 08h30.
Sob a
supervisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integrantes do PT se
lançaram numa ofensiva para aumentar a pressão sobre os ministros do Supremo
Tribunal Federal que julgarão o processo do mensalão.
Parlamentares e petistas com trânsito no Judiciário
foram destacados para apresentar aos ministros a tese de que o julgamento não
deve ser político, mas uma análise técnica das provas que fazem parte do
processo.
O medo
dos petistas é de que os ministros do tribunal sucumbam a pressões da opinião
pública num ano eleitoral. O mesmo movimento tenta convencer o Supremo de que o
julgamento não deve acontecer neste ano.
Um dos
petistas que participam da ofensiva disse à Folha que fez chegar a integrantes
do STF a avaliação de que não há provas suficientes para condenação do
ex-ministro José Dirceu e do ex-presidente do PT José
Genoino.
Na
denúncia que deu origem ao processo do mensalão, Dirceu é apontado pela
Procuradoria-Geral da República como chefe de um esquema que teria desviado
recursos públicos para os partidos que apoiavam o governo Lula no
Congresso.
O foco
mais evidente do assédio petista é o ministro José Dias Toffoli, que foi
assessor do PT e advogado-geral da União no governo Lula. Emissários do
ex-presidente já fizeram chegar a Toffoli a preocupação com a possibilidade de
ele se considerar sob suspeição durante o julgamento do
mensalão.
Responsável pela indicação de Toffoli, o próprio Lula
passou a reclamar dele. Segundo petistas, o ministro estaria emitindo "sinais
trocados" sobre o julgamento.
Toffoli pode se declarar impedido para julgar o caso,
por causa de seu envolvimento com o PT e o governo Lula, e porque sua namorada
foi advogada do ex-deputado Professor Luizinho (SP), que também é réu no
mensalão e hoje está afastado da política.
À
Folha Toffoli disse que não se considera impedido, mas que só tomará uma
decisão quando o julgamento estiver marcado. "Ele não tem esse direito", disse o
prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), amigo do
ex-presidente.
Segundo a Folha apurou, Lula já afirmou a ao
menos dois ex-ministros de seu governo que não gostaria que o julgamento
ocorresse neste ano por temer prejuízos aos candidatos que apoiará nas eleições
municipais. Dos 11 integrantes do Supremo, seis foram nomeados por
Lula.
PRESSÃO JURÍDICA
Além
da movimentação política, os ministros também passaram, nos último meses, a
receber outro tipo de pressão, desta vez jurídica, vinda de Márcio Thomaz
Bastos, ex-ministro da Justiça de Lula.
Contratado para defender um ex-diretor do Banco Rural
que também é réu, Thomaz Bastos enviou ao Supremo uma questão de ordem para
tentar mais uma vez desmembrar o processo.
Isso
deixaria no tribunal apenas três réus e mandaria para a primeira instância todos
aqueles que não têm foro privilegiado no Supremo, entre eles Dirceu e
Genoino.
O STF
rejeitou a ideia em 2006, quando a denúncia ainda não havia sido aceita pelo
tribunal e a discussão foi proposta pelos advogados do empresário Marcos Valério
Fernandes de Souza.
Thomaz
Bastos diz ter novos argumentos para defender a tese e já conseguiu convencer
parte dos ministros do STF de que será preciso analisar a questão novamente
antes do julgamento.
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